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Parasha


18/10/2013
Parashá: Vayerá
Gênesis 18:1 -22:24 
A Parashá Vayerá inicia-se com a incrível demonstração de bondade por Avraham (Abraão), àqueles que ele pensa serem três homens, mas que na verdade são anjos enviados por D'us, pesar de seu extremo desconforto pelo recente brit milá, circuncisão.
Os anjos entregam sua mensagem, declarando que Sara milagrosamente dará à luz a seu primeiro filho no prazo de um ano, com a idade de 90 anos (o próprio Avraham teria cem anos). Em seguida, eles seguem para a          cidade de Sodoma. D'us informa a Avraham que as cidades de Sodoma e Gomorra serão destruídas por causa da perversidade, e Avraham responde com uma longa prece e dialoga com D'us pedindo pelo salvamento das cidades.
Incapaz de encontrar dez cidadãos íntegros, D'us começa a destruir as cidades, mas não antes que os anjos salvem o sobrinho de Avraham, Lot e sua família, da destruição. Acreditando que o mundo inteiro havia sido destruído, as duas filhas de Lot embebedam o pai, para que ambas possam ficar grávidas dele, e cada uma acaba tendo um filho.
Sara é raptada por Avimelech, o rei de G'rar, que não havia percebido que ela era casada. D'us reage castigando-o com uma peste, que o impede de tocá-la, e informa Avimelech que Sara é casada, quando então é          imediatamente libertada.
Sara concebe e dá à Luz Yitschac (Isaac), e Avraham faz uma grande comemoração. Sara vê Ishmael (o filho de Avraham com Hagar) como uma ameaça ao bem-estar espiritual de seu próprio filho. Relutante a princípio, Avraham segue a ordem de D'us, de dar ouvidos à esposa, expulsando Ishmael e Hagar de sua casa. Com Ishmael a ponto de morrer de sede no deserto, D'us escuta seus gritos e faz com que Hagar encontre um poço de água, e com isso o jovem é salvo.
Avraham assina um pacto com Avimelech na cidade de Be'er Sheva, e vivem em paz por muitos anos. A porção da Torá conclui com a akeidá, o altar, o décimo e último teste de Avraham, no qual ele demonstra sua boa vontade em aquiescer à ordem do Criador, de oferecer seu amado filho Yitschac em sacrifício.

Mensagem da Parasha
Você está recostado em sua poltrona, relaxado e envolvido num excelente livro, bebericando um copo de limonada gelada. Apreciando totalmente este descanso muito valorizado, é subitamente interrompido pelo som do telefone. Hesitante, pega o receptor para ouvir a voz de seu amigo, David. Ele está se mudando hoje e precisa de ajuda para carregar algumas caixas. Não desejando perturbar seu tempo de folga com nenhuma espécie de trabalho pesado, você responde quase mecanicamente que não, pois está ocupado agora. Desligando o telefone, volta à trama absorvente do livro.
A Torá, no início da porção desta semana, descreve com riqueza de detalhes como Avraham, quando visitado por três hóspedes, demonstrou enorme solicitude em servi-los e cuidar deles. Avraham "apressou-se a ir à tenda de Sara," para que ela pudesse preparar pão fresco, ele "correu até o rebanho" para preparar as melhores          iguarias, e então "ficou de pé, perto deles, debaixo da árvore", enquanto comiam na sombra, assegurando-se de que cada necessidade lhes fosse fornecida (Bereshit 18:6-8).
Rabeinu Bachya destaca que, embora Avraham fosse um homem idoso e estivesse fraco por causa da circuncisão que fizera apenas três dias antes, e apesar de ter muitos servos que poderiam ter atendido os hóspedes, em sinal de respeito Avraham fez tudo sozinho, com grande zelo e entusiasmo.
Ao final da porção da Torá há uma outra situação, na qual Avraham demonstra seu caráter zeloso. Na manhã em que Avraham levantou-se para realizar a akeidá, o sacrifício, a Torá relata que "ele se levantou cedo" para cumprir a mitsvá. Nesta difícil situação, quando Avraham recebeu ordem de levar o filho amado, pelo qual esperara ansiosamente por tantos anos, como uma oferenda, poder-se-ia pensar que a última coisa que a pessoa faria fosse acordar cedo para embarcar nesta missão! Mesmo assim, vemos que Avraham o fez. Como é possível?
Uma vez mais, temos um exemplo da personificação de Avraham da qualidade de ser zeloso, rápido e entusiasta em cumprir as mitsvot, preceitos, de D'us. Avraham desenvolveu este traço a tal ponto que, mesmo          nesta situação difícil e extremamente penosa, ainda foi capaz de superar o desejo natural de protelar, chegando mesmo a levantar-se cedo para fazer a vontade de D'us.
Isso nos ensina uma lição inacreditável, que justamente quando a situação é desconfortável, ainda temos a capacidade de cumprir uma mitsvá com zelo e entusiasmo, e especialmente quando a mitsvá não é tão difícil.
Há um conceito bem conhecido na dinâmica humana conhecido como inércia - tendência natural da pessoa de tentar permanecer tão inativa quanto possível. Esta tendência intensifica-se quando se trata de cumprir mitsvot, porque há um freio natural, a má inclinação, que fará todo o possível para impedir que a pessoa faça uma ação que lhe possibilitará uma recompensa no Mundo Vindouro. Com isto em mente, temos uma pergunta: Como a pessoa adquire a característica de Avraham? Como subrepuja sua indolência natural para atingir a grandeza?
Há duas maneiras de fazer isso: Rabi Moshê Chaim Luzzatto explica que podemos fazê-lo, concentrando-nos em todas as coisas que D'us realiza para nós, pois se pudermos reconhecer todo o bem que Ele nos concede, e as enormes maravilhas que realiza desde o dia em que nascemos até nossos últimos, sem dúvida nos apressaremos em fazer o possível para retribuir, com toda nossa capacidade, cumprindo a Torá e exaltando Seu nome.
A segunda maneira, diz Chafetz Chaim, é reconhecer a importância de cada minuto. Sabemos que cada palavra da Torá que a pessoa estuda é uma mitsvá por si mesma. Se a pessoa fala à velocidade normal, seriam aproximadamente duzentas palavras por minuto, portanto, se a pessoa fala sobre a Torá por um minuto, realiza duzentas mitsvot de uma só vez. Agora pense: se a pessoa estuda por quinze minutos, cumpre três mil mitsvot! Se aprender por uma hora, faz doze mil mitsvot! E se a pessoa estuda o dia inteiro? Que tal alguns dias? Todas as mitsvot vão se somando, e quanto mais mitsvot cumpre, mais recompensa recebe. Dentro de pouco tempo, terá a capacidade de cumprir milhões!
É através deste reconhecimento que adquirimos o desejo de utilizar cada momento da maneira mais completa, seja estudando Torá, ajudando o próximo. Porém, precisamos de uma presteza e zelo especiais para nos assegurar de que corremos para fazê-las, e ao mesmo tempo buscando a certeza de que são cumpridas adequadamente.
A idéia de valorizar cada momento foi explicada numa parábola por rabi Moshe Yitschac Hadarshan. Imagine se todos aqueles que estão no cemitério recebessem outra meia-hora de vida, para conseguir tanta recompensa celestial quanto lhes fosse possível. Veríamos pessoas correndo para lá e para cá, estudando Torá, visitando os doentes, rezando, consolando os enlutados e fazendo caridade, cada pessoa de acordo com sua habilidade. E se essas pessoas recebessem algumas horas de vida, ou mesmo alguns dias? Não tentariam utilizar o tempo para cumprir tantas mitsvot quanto lhes fosse possível? E quanto a nós - quem de nós sabe quanto tempo ainda lhe resta?
É bem como disse o Chafetz Chaim certa vez: "A vida é como um cartão postal. Quando iniciamos uma viagem, escrevemos em letras grandes e espalhadas. Mas quando vemos que o espaço para escrever no cartão está acabando e ainda há tanto a dizer, começamos a escrever em letras cada vez menores, espremendo as palavras onde quer que haja um cantinho."
Ocorre o mesmo com nosso cumprimento de mitsvot; não somos tão cuidadosos sobre fazer todo o possível porque achamos que há muito tempo à disposição. Mas com o passar da vida, percebemos como o tempo é escasso na verdade, e tentamos espremer tantas mitsvot quantas pudermos. Entretanto, se percebermos agora o valor do tempo, podemos utilizá-lo ao máximo de nossa capacidade.
Por isso, quando estivermos em casa, prazerosamente lendo um livro ou qualquer outra coisa que preferiríamos          não interromper, devemos refletir novamente naqueles métodos de incrementar o cumprimento da mitsvá. Devemos nos lembrar como D'us é bom para nós, e o quanto devemos realizar para retribuir pelo menos uma fração disso. Devemos ter em mente a importância e valor de cada minuto e de cada mitsvá. Por fim, devemos considerar que não importa o desafio que seja o cumprimento de uma mitsvá, é um desafio maior que o foi para Avraham levar seu filho ao sacrifício?
Com este reconhecimento, que possamos merecer a realização de mais preceitos, elevando desta maneira nossa recompensa, tanto neste mundo como no Mundo Vindouro. 
Fonte: ttp://www.chabad.org.br

28/06/2013



Parashá: Pinechas
Números, 25:10 -30:1

“A Parashá Pinechas começa com D'us concedendo sua bênção de paz e sacerdócio a Pinechas, o neto de Aharon, por assassinar um príncipe da tribo de Shimeon e uma princesa medianita enquanto estavam envolvidos em um ato licencioso em público (ao final da Porção da Torá da semana passada).
A reação zelosa de Pinechas salva o povo judeu de uma peste que havia irrompido no campo. D'us ordena a Moshê e Eleazar (filho e sucessor de Aharon como Sumo sacerdote) a conduzir um novo recenseamento de toda a nação, o primeiro feito em quase trinta e nove anos.
A Torá então relata a reivindicação feita pelas cinco filhas de Tslofchad por uma parte da herança na terra de Israel, pois não tinham irmãos e o pai morrera no deserto. D'us concorda, e pelo mérito destas mulheres justas muitas das leis sobre herança são ensinadas. Depois que D'us mostra a terra de Israel do topo de uma montanha, Moshê recebe ordens de transmitir seu manto de liderança a Yeoshua, colocando a mão sobre sua cabeça, pois Moshê não entraria no país.
A porção da Torá conclui com uma completa descrição dos corbanot, sacrifícios, especiais a serem ofertados nos vários dias festivos durante o ano, acima e além do sacrifício (corban tamid) que é trazido toda manhã e tarde. Estas seções são também lidas na Torá por todo o ano, nos dias festivos apropriados.   
     Mensagem da Parashá        
Mensagem: Fazendo a coisa certa
Ao final da Porção da Torá da semana passada, aprendemos sobre as mulheres medianitas que tentaram seduzir os homens judeus a adorar Ba'al Peor, um abominável ídolo pagão. A estratégia para seduzir os homens surtiu efeito e já provocara a morte de 24.000 pessoas por uma peste divinamente enviada. A história tem seu clímax quando Zimri, um príncipe da tribo de Shimeon, é flagrado tendo relações pecaminosas com Kazbi, uma princesa Medianita, bem no meio do acampamento israelita. Pinechas, o neto de Aharon, reage tomando de uma lança e golpeando os dois parceiros pecadores, pondo um fim à praga.
E assim iniciamos a porção desta semana da Torá, que recebe o nome de Pinechas por seu ato destemido. Aqui lemos sobre a recompensa de D'us a Pinechas - uma bênção de paz e eterno sacerdócio. Estranhamente, embora esta discussão ocupe apenas parte de uma curta seção da Porção da Torá, mesmo assim a porção inteira recebe o nome de Pinechas. Não somente isso, se a porção da Torá tem de receber o nome de uma pessoa, aparentemente faz mais sentido incluir todo o episódio de Pinechas - de seu ato heróico até a recompensa de D'us - tudo em uma porção. Por que seu ato corajoso foi discutido na semana passada na Parashá Balac e sua recompensa descrita esta semana na Parashá Pinechas?
Talvez, a divisão da Torá do episódio em duas porções seja uma tentativa de ensinar-nos uma lição. Pinechas matou Zimri por uma razão e apenas por uma razão - ele sabia que era a coisa certa a fazer. Alguém tinha que tomar uma atitude e impedir que as mulheres medianitas causassem a morte de toda a nação judaica. A ação de Pinechas foi motivada no mais alto nível. Pinechas não agiu por auto-gratificação. Não o fez porque desejava que uma Porção da Torá recebesse seu nome. Ele o fez apenas pela santificação do nome de D'us e Seu povo. Ao separar a ação de Pinechas de sua recompensa, a Torá está nos ensinando que Pinechas não previu, ou mesmo se preocupou, em receber uma recompensa de D'us. Sua ação foi realizada por si, por seu próprio mérito.
Quantas vezes achamo-nos fazendo algo não porque é a coisa certa a se fazer, mas porque desejamos receber algum tipo de recompensa? Quantas vezes fazemos algo apenas para destacar nosso ego? O que a Torá está nos ensinando através de Pinechas é que devemos tentar fazer as coisas com mais empenho e simplesmente porque sabemos que isso é o certo. Nossa recompensa virá na hora certa. Não devemos fazer boas ações apenas para ver nosso nome brilhar.”
Fonte: http://www.chabad.org.br


01/03/2013
Parashá: Ki Tissá
Êxodo 30:11-34:35

A diversa e abrangente parashat Ki Tissá começa com a ordem de D'us a Moshê para fazer um recenseamento, coletando uma contribuição igual de uma moeda de meio-shêkel de cada adulto do sexo masculino entre as idades de 20 e 60, e estes lucros irão para o Mishcan (Tabernáculo).
D'us descreve a Moshê o kiyor de cobre (lavatório e base), na qual os Cohanim santificarão suas mãos e pés antes de servirem no Mishcan. É também discutido o azeite para unção que seria usado para santificar os vários utensílios para uso normal. A isso segue-se a receita para o ketoret, insenso aromático a ser queimado duas vezes ao dia. D'us designa Betsalel, da tribo de Yehudá, e Oholiyav, da tribo de Dan, para supervisionar a construção do Mishcan que está para ser iniciada. A mitsvá do Shabat é então repetida para advertir a nação de que mesmo a construção do Mishcan não suplanta a observância do dia semanal de descanso.
A Torá retorna à narrativa da Revelação no Monte Sinai, e descreve o terrível pecado do bezerro de ouro. D'us acede às preces de Moshê para que os filhos de Israel sejam poupados da aniquilação por sua grave transgressão, e Moshê desce da montanha com as duas Tábuas dos Dez Mandamentos.
Ao testemunhar uma parcela da população dançando ao redor do Bezerro de Ouro, Moshê quebra as Tábuas e queima o ídolo, iniciando o processo de arrependimento. Como resultado da queda do povo de seu patamar espiritual elevado, D'us anuncia que Sua presença não pode residir entre eles.
Moshê é forçado a mudar temporariamente a tenda para fora do acampamento, para que D'us continue a se comunicar com ele. Moshê novamente sobe à montanha para rezar a D'us para que perdoe o povo judeu, e lhe devolva o status de povo escolhido. Moshê finalmente retorna com o segundo conjunto de tábuas e um pacto renovado com D'us; sua face aparece resplandecente como resultado da revelação Divina.


Mensagem da Parashá
Lições da Parashat Ki Tissá
Ao examinar esta Porção da Torá, é interessante notar que a mitsvá de construir o Mishcan veio após a Revelação do Monte Sinai. O ponto focal do Mishcan era a Arca Sagrada, que continha as duas Tábuas. Não faria mais sentido primeiro preparar o local para colocar as Tábuas e então recebê-las? Por que o Mishcan não foi construído primeiro?
Desta dúvida aparentemente simples emerge uma poderosa lição de vida. Quando vamos à loja de presentes judaicos mais próxima, frequentemente passamos muito tempo examinando o belo trabalho nos estojos das mezuzot, mas gastamos o mesmo tempo inspecionando a qualidade do rolo que vem dentro do estojo? Muitas vezes nos preocupamos com o propósito secundário, esquecendo totalmente o objetivo principal. Gastamos tempo e dinheiro adquirindo um talit muito fino e uma bolsa de tefilin, mas não mostramos o mesmo entusiasmo pelo conteúdo que ali está.
Ao colocar a construção do Mishcan após a revelação no Monte Sinai, a Torá está nos lembrando a não perder de vista este propósito. As Tábuas e os Dez Mandamentos nelas gravados são o mais importante: a Arca Sagrada que os contém é secundária. Mais tempo deveria ser gasto aprendendo e honrando a Torá que aprimorando a Arca que a contém. Será a cobertura da chalá ou a chalá nosso maior foco de atenção, a bela sinagoga como santuário ou as preces que lá são ditas? Não devemos jamais deixar de lado nossa prioridade de cumprir as mitsvot de D'us ao máximo de nossas capacidades.
Fonte: http://www.chabad.org.br

22/02/2013

Parashá:Tetsavê
Êxodo 27:20-30:10

Seguindo-se aos mandamentos detalhados da porção da última semana a respeito da construção do Mishcan, a parashat Tetsavê começa com a mitsvá diária dada a Aharon e seus filhos de abastecer a menorá no Mishcan com puro azeite de oliva.

D'us descreve a Moshê as vestes especiais que devem ser usadas pelos Cohanim durante o serviço, tecidas e adornadas com materiais doados pelo povo. Os Cohanim comuns envergavam quatro vestimentas especiais, ao passo que quatro vestes adicionais deveriam ser vestidas exclusivamente pelo Cohen Gadol.  A parashá descreve, detalhadamente, então, as vestimentas:
·      ketonet – uma túnica longa de linho;
·      Michnasayim – calções de linho;
·      Mitznefet ou migba’at – um turbante de linho;
·      Aynet – uma longa faixa ao redor da cintura.
·      Além disso, o Cohen Gadol (Sumo Sacerdote) vestia:
·      efod, uma veste similar a um avental, feita de lã azul, roxa e vermelha, linho e fios de ouro;
·      choshen – um peitoral contendo doze pedras preciosas inscritas com os nomes das doze tribos de Israel;
·      Me’il – uma capa de lã azul, com sinos de ouro e romãs decorativas na barra;
·      tsit – uma placa de ouro usada sobre a testa, com a inscrição "Sagrado para D’us".

A porção da Torá, após isto, transfere sua atenção aos mandamentos de D'us referentes ao melu'im, inauguração ritual para o Mishcan recentemente construído, a ser realizada exclusivamente por Moshê por sete dias.
Tetsavê também inclui as instruções detalhadas de D’us para a iniciação de sete dias de Aharon e seus quatro filhos – Nadav, Avihu, Elazar e Itamar – no sacerdócio, e pela construção do Altar de Ouro sobre o qual o ketoret (incenso) era queimado. Todas estas ordens são na verdade realizadas na porção conclusiva de Shemot, Parashat Pekudê.


Mensagem da Parashá
A Porção desta semana começa com a familiar proclamação de D'us a Seu leal servo Moshê: "Ordenarás aos filhos de Israel que eles lhe tragam azeite puro e prensado de oliva para iluminação, para abastecer continuamente a lamparina" (Shemot 27:20). D'us então prossegue a divulgar os métodos pelos quais Aharon e seus filhos acenderão a Menorá sagrada.
Logo após, Moshê recebe ordens para designar seu irmão e os filhos como Cohanim oficiais do Mishcan consagrado, e somente então a Torá se aprofunda nas inúmeras outras responsabilidades conferidas aos santos Cohanim. "Por que," poderia alguém perguntar em uma súbita antecipação, "a Menorá foi destacada como a única ordem sacerdotal a preceder o compromisso dos Cohanim?"
Rabi Moshê Feinstein explica que esta é uma tradição bem conhecida, que a Menorá representa nossa mais preciosa fonte de sabedoria e direcionamento, a Torá. Assim como a Menorá era uma constante e infalível fonte de luz nos mais recônditos santuários do palácio terreno de D'us, assim também a Torá deve servir como uma tocha corajosa a nos guiar através dos abismos de nossa existência. É por essa razão que a mitsvá do acendimento da Menorá foi separado dos outros comandos sacerdotais - para ensinar-nos que as lições que são inerentes e simbolizadas por ela dizem respeito a todo judeu. A Menorá nos ensina muitos métodos importantes de aprender a preciosa Torá de D'us, bem como divulgar sua sabedoria a outras pessoas.
Por exemplo, a Torá nos exorta que o azeite usado deve vir de azeitonas que foram "katit", explicado pelo Rashi que devem ser prensadas à mão, em vez de uma prensa mecânica. Este detalhe aparentemente menor nos ensina que para adquirir verdadeiramente o aprendizado da Torá, a pessoa deve utilizar todas suas energias e potencial, e empenhar-se realmente na firme busca do dom da sabedoria concedido por D'us ao povo judeu. Não há atalhos ou relâmpago para se atingir um verdadeiro entendimento da Torá. Também, assim como uma vela é acesa mantendo-se a chama no pavio por tempo suficiente para que o fogo pegue e queime por si mesmo, assim também um professor deve imbuir seus alunos com sabedoria até que eles sejam capazes de apreender a informação e desejar ainda mais conhecimento por sua própria iniciativa – o supremo objetivo do professor.
Finalmente, os Cohanim receberam ordens de encher os copos da Menorá todas as noites com cinco lug (uma medida) de azeite, independentemente da duração da noite. Esta lei simples também nos ensina um ponto vital em nossos métodos de instrução. Não importa quais sejam as capacidades intelectuais do aluno, o professor deve querer dedicar tempo igual à educação de cada estudante. O professor não deveria pensar que o aluno brilhante possa entender por si só, porque esta falta de atenção por parte do professor pode fazer com que o aluno volte sua atenção para outros assuntos. E o estudante com problemas de compreensão jamais deve ser dispensado como se lhe faltasse o potencial para tornar-se grande.
Resumindo: se a pessoa está procurando por uma introvisão da sabedoria e Torá, deve-se voltar para a Menorá. Como estipula o Talmud: "Aquele que deseja a sabedoria deve voltar-se para o sul (a localização da Menorá no Templo -Tratado Baba Batra 25b).
Neste estilo, o Ramban procura esclarecer a discrepância gramatical acima apresentada. A respeito de qualquer projeto ou empreendimento meritórios assumidos em nome do Judaísmo, a pessoa pode-se considerar um parceiro simplesmente por contribuir com dinheiro e outros recursos para ajudar outras pessoas a completarem o projeto. Por este motivo, a respeito de todos os outros utensílios do Mishcan, a Torá dirige sua ordem somente a Moshê, pois o povo judeu já fizera sua parte ao contribuir com a matéria prima para o fundo de construção. Agora Moshê deve continuar o trabalho realmente construindo os utensílios.
Entretanto, este não é o caso quando se trata do estudo de Torá. Portanto, a ordem de construir a Arca, que como já foi mencionado antes representa a Torá e seu estudo, é dirigida não apenas a Moshê, mas a todo o povo judeu. D'us deseja indicar que embora o povo tenha contribuído com prata e ouro, deve apesar disso participar da real construção da Arca Sagrada - e, por extensão, do estudo de Torá.
É claro que quem doou os recursos pelo mérito do estudo da Torá deve ser grandemente louvado e parabenizado. Entretanto, ao mesmo tempo, deve entender que não pode simplesmente sentar-se de lado e permitir que outros sozinhos estudem a Torá. Todos devemos participar neste empreendimento. Também não devemos pensar que a Torá é um livro fechado, reservado para eruditos e mentes brilhantes. A Torá pode ser estudada em muitos níveis diferentes e de vários ângulos, de forma que cada indivíduo pode abordá-la segundo seu próprio nível. Do amador ao grande erudito, a pessoa só tem a ganhar estudando-a.
A Torá é eterna e lá está para que a estudemos a qualquer tempo - e agora é o tempo de abri-la e vermos os tesouros que contém.
Fonte: www.pt.chabad.org

15/02/2013
Parashá: Terumá
Êxodo 25:1-27:19
A parashá Terumá inicia uma série de quatro das cinco porções que discutem em detalhes a construção do Mishcan, o Tabernáculo móvel que servia de "local de repouso" para a presença de D'us entre o povo judeu. A porção completa da semana relata a descrição de D'us a Moshê sobre como construir o Mishcan, começando com uma lista dos vários materiais preciosos a serem coletados pelo povo judeu para este projeto monumental.
D'us descreve a magnífica Arca de madeira e ouro que abrigaria as tábuas com os Dez Mandamentos, completa com sua cobertura deslumbrante representando dois querubins (anjos com rosto de crianças), um de frente para o outro. Em seguida, D'us entrega a Moshê as plantas do Shulchan (mesa sagrada), sobre a qual os Lechem Hapanim (Pães da Proposição) serão colocados a cada semana.
Seguindo-se à descrição da Menorá, que deveria ser feita de um único pedaço grande de ouro puro, D'us descreve a estrutura do próprio Mishcan, detalhando a cobertura esplendidamente tecida e bordada, as cortinas, as divisões e as paredes externas móveis. A Porção da Torá conclui com as instruções para o altar de cobre e o grande pátio externo do Mishcan. 

Mensagem da Parashá: Porque um Tabernáculo
Um príncipe viajou de um país distante para se casar com a filha única do rei. Quando quis partir com ela, o rei disse: –"Não posso deixá-la partir, ela é minha filha única. Por outro lado, ela também é sua esposa, e não tenho o direito de detê-la aqui. Por isso, pedir-lhe-ei um favor. Construa um quarto extra para mim, onde quer que se estabeleçam; de maneira que eu possa viver perto de vocês!"
Igualmente, depois que D'us deu a Torá, Sua filha preciosa, ao povo judeu, pediu-lhes que construíssem um Tabernáculo (Mishcan), no qual Sua Shechiná (Divindade) residiria permanentemente na terra.

Três Parábolas: A que se Compara o Tabernáculo
D'us anunciou ao povo judeu: –"Vocês são meu rebanho, e Eu sou o pastor. Assim como um pastor arma a tenda perto das ovelhas para cuidá-las, Eu desejo ter uma morada perto de vocês."
"Vós, o povo judeu, sois Meu vinhedo e Eu, D'us, o guardador do vinhedo. Aquele que cuida do vinhedo normalmente vive em uma choupana perto do vinhedo, de onde possa observá-lo para assegurar-se de que não entrem ladrões. Construam, pois, uma choupana para Mim junto ao vinhedo."
"Vós, o povo judeu, também sois meus filhos; e Eu, D'us sou vosso pai. É uma grande honra para os filhos viver em um lar próximo ao pai e também é uma honra para o pai viver perto dos filhos."

As Chaves das Três Parábolas
D'us é comparado: 1)  um pastor; 2) a um vinhateiro e, 3) a um pai.
Por que não basta uma comparação? Por que é necessário haver três parábolas diferentes?
 Na verdade, estes são três momentos diferentes da história do povo judeu. Em cada época, D'us manteve uma relação distinta com os judeus.
1) Quando o Povo de Israel perambulou pelo deserto, D'us morava em um Tabernáculo parecido a uma tenda de pastor. Um pastor não vive em um lugar fixo. Segue o rebanho onde este vai para pastar e arma sua tenda perto das ovelhas para protegê-las e procurar-lhes comida.  Do mesmo modo, D'us "seguiu" o povo judeu pelo deserto. Como um pastor fiel, guardou-os dia e noite e estendeu Suas nuvens ao redor deles, e os alimentou com maná, aves, e água da fonte.
2) Em Israel o rei Salomão construiu o Templo Sagrado para D'us, um edifício de pedra. Assim como o vinhateiro cuida do vinhedo, do mesmo modo D'us protegeu a Terra de Israel de todos os inimigos. Mesmo assim, o Templo Sagrado foi comparado apenas a uma "choupana" e não a um lugar permanente, pois não durou para sempre. D'us predisse que o Templo Sagrado continuaria existindo somente enquanto os filhos de Israel guardassem fielmente a Torá. Quando abandonaram as mitsvot de D'us, o Templo Sagrado, ambos o primeiro e o segundo, foram destruídos.
3) Quando Mashiach vier e D'us nos der o terceiro Templo Sagrado, esse será comparado a um "lar" - pois durará para sempre. Então todos verão que D'us é nosso pai e que somos Seus filhos.

Quando a Ordem da Construção do Tabernáculo foi dada
Apesar da mitsvá de construir um Tabernáculo ter sido decretada apenas depois do pecado do bezerro de ouro, a Torá a registra de antemão. As porções da Torá que lidam com o Tabernáculo (Terumá e Tetsavê), precedem o relato do pecado do bezerro de ouro (na porção de Ki Tissá).
Após o pecado do bezerro de ouro, Moshê implorou incessantemente que D'us perdoasse o povo judeu. Finalmente, conseguiu o perdão. Não obstante, Moshê não estava satisfeito, e indagou a D'us: ­–"Como ficará evidente às nações do mundo que Tu realmente perdoaste Teu povo?"
–"Que os filhos de Israel construam um Tabernáculo," replicou D'us. "Lá, oferecerão sacrifícios, os quais aceitarei. Esta será uma prova pública de Meu amor renovado por Meu povo!"
A Torá inverte a ordem cronológica dos acontecimentos a fim de ensinar-nos que D'us prepara o antídoto para uma falha mesmo antes desta ter sido realmente cometida. D'us previu o pecado do bezerro de ouro. Portanto, Ele arquitetou antecipadamente a ideia de construir o Tabernáculo.
Através do pecado, o povo judeu forçou a Shechiná a retroceder aos Céus. Por intermédio do Tabernáculo, contudo, a Shechiná poderia retornar à terra.



08/02/2013
Parashá: Mishpatim

Êxodo 21:1-24:18

Mishpatim, seguindo logo após os Dez Mandamentos, trata principalmente da Lei Civil. A justaposição do ritual com o mundano fornece uma percepção esclarecedora do judaísmo. Vista pela perspectiva da Torá, não há distinção entre as atividades cerimoniais e mundanas da vida - ambas devem estar permeadas de santidade e ambas devem ser cumpridas por completo e com diligência.
Incluídas entre as leis civis discutidas na Porção da Torá estão as leis relativas ao servo judeu e sua liberdade; penalidades por causar ferimentos corporais em outra pessoa e por danificar sua propriedade; leis relativas a vigilantes e tomadores de empréstimo; a mitsvá de mostrar sensibilidade ao pobre e de oferecer-lhe empréstimos sem juros; e leis relativas à concessão honesta de justiça.
Após mencionar as mitsvot de Shabat e Shemitá, a porção continua com uma breve exposição das três festas de peregrinação: Pessach, Sucot e Shavuot - e a renovada promessa de D'us de levar o povo judeu à Terra de Israel. A Torá então retorna à revelação no Monte Sinai. O povo judeu declara seu compromisso de fazer tudo aquilo que o Criador ordenar, e a porção conclui com Moshê subindo a montanha, onde permanecerá por quarenta dias e quarenta noites para receber o restante da Torá.

Mensagem da Parashá: A Boa Conduta

A Torá nos ensina que devemos observar duas classes de mitsvot: Mitsvot a respeito de D'us e as mitsvot em relação a outro judeu. Esta parashá nos ensina leis que tratam do dano causado a pessoas ou a propriedades. Essas leis recebem o nome de mishpatim.
Muitas das leis nesta parashá são tecnicamente complexas e estão além do alcance deste trabalho. Foi feita uma tentativa de dar um breve perfil da maioria das mitsvot, para permitir ao leitor apreciar a sabedoria Divina: "As leis de D'us são verdadeiras e justas em sua totalidade". (Tehilim 19:10)
As mitsvot abaixo relacionadas são mencionadas nesta parashá e também em outros lugares da Torá. Portanto, serão explicadas quando surgirem nas futuras Parshiyot.
·      Não oprimir um convertido
·      Emprestar dinheiro aos necessitados
·      Ajudar a descarregar a carga de um animal de outrem
·      Guardar as leis do ano sabático
·      Celebrar Pêssach, Shavuot e Sucot
·      Levar primícias ao Templo Sagrado
·      Não selar pactos com quaisquer das sete nações de Canaã.
Assim, um conjunto de obrigações – os dez mandamentos à frente, seguidos pelas leis (mishpatim) fornecem os instrumentos para uma convivência pacífica e a resolução de problemas. O desafio é seguir e cumprir com tais ordenamentos, que exigem, acima de tudo, o respeito ao outro e o respeito às diferenças.

Fonte: http://www.pt.chabad.org/

01/02/2013
Parashá Yitrô
Êxodo 18:1-20:23
A porção de Yitrô inicia-se com o sogro de Moshê, Yitrô, chegando ao acampamento do povo judeu no deserto, onde é saudado calorosamente por grande quantidade de pessoas. Yitrô desejou juntar-se a eles quando ouviu falar de todas as maravilhas e milagres que D'us realizara para o povo judeu durante o êxodo do Egito.
Quando vê que Moshê está agindo como único juiz do povo desde o amanhecer até a noite, Yitrô declara que este sistema jamais funcionará. Sugere, portanto, que juizes subordinados sejam designados para julgar os casos menos importantes. Moshê concorda com a sugestão.
O povo judeu chega ao Monte Sinai e prepara-se para receber a Torá. Moshê escala a montanha e D'us lhe diz para transmitir ao povo de que serão para Ele como um tesouro entre as nações. Após três dias de preparação, finalmente chega o momento da revelação e, em meio a trovões, raios e o som do shofar, D'us desce sobre a montanha e proclama os Dez Mandamentos.
Moshê sobe então à montanha para receber o restante da Torá de D'us, tanto a parte escrita como a oral. A porção é concluída com várias mitsvot referentes à construção do altar no Templo.

Mensagem da Parashá: Alimentando corpo e alma
A Porção Semanal nos fala sobre a outorga da Torá no Monte Sinai. D’us revelou Sua vontade na presença de milhões de testemunhas, as mais variadas. Postados ao pé da montanha prontos para receber a Torá, os judeus proclamaram que primeiro seguiriam os mandamentos e depois procurariam entendê-los. Examinemos a lógica fundamentando esta atitude, ao comparar a alma ao físico.
Nosso corpo requer um influxo diário de certas substâncias, em determinadas porções, obtidas através da respiração e consumo de alimentos. Nenhuma quantidade de pensamento, fala ou estudo sobre estes elementos pode substituir a ingestão. Pelo contrário, sua falta enfraquecerá as forças mentais do pensamento, a concentração, etc.
É óbvio que a maneira correta de assegurar a saúde do corpo é comer, beber e respirar, o que, consequentemente, fortalecerá também as forças mentais de estudo e concentração.
O mesmo é válido no caso da alma. Os elementos que requer para seu sustento são bem conhecidos pelo Criador e Ele os revelou para nós, dizendo-nos que "ar e alimento" vitais para nossa existência espiritual são… Torá e mitsvot!
Fonte: http://www.chabad.org.br/

25/01/2013
Parasha Beshalach
Êxodo 13:17-17:16

O povo judeu é libertado do Egito e D’us os conduz pelo deserto, não pelo caminho mais curto que cruza a terra dos filisteus, mas pelo mais longo, para que não tivessem que lutar contra inimigos imediatamente e, desta forma, desejassem retornar ao Egito, arrependidos e amedrontados por terem que enfrentar a imprevisível jornada. D’us os protegia través de nuvens que durante o dia andavam à sua frente. À noite, uma coluna de fogo iluminava o caminho. O faraó arrepende-se de ter libertado os judeus e, com seu exército, resolve persegui-los e aniquilá-los. O povo reclama a Moshê, questionando porque ele os tirou do Egito; seria para perecerem agora no deserto? Moshê responde que nada devem temer. D’us comanda a Moshê que levante a vara e fenda o mar. Ocorre um grande milagre e as águas do Mar Vermelho (no original, Mar dos Juncos) abrem-se formando um caminho seco no meio do mar, com imensas paredes em ambos lados. São doze caminhos, por onde passam as doze tribos. O povo judeu faz a travessia do Mar Vermelho cantando canções para D’us, enaltecendo Sua grandeza. Logo depois as águas se fecham, trazendo a morte sobre os egípcios. Miriam apanha um pandeiro e as mulheres saem atrás dela dançando. É por isso que  o Shabat da porção da Torá de Beshalach é conhecido também como Shabat Shirá (música, melodia, canção).
Após a travessia o povo judeu não encontra água por três dias, apenas águas amargas em Mará. D’us realiza novamente um milagre transformando a água amarga em potável.
O povo continua reclamando, desta vez por causa da fome. D’us então envia alimento dos céus, o maná, na exata porção para cada um, sem sobras, pois não podia ser guardado ou armazenado, pois apodreceria. Apenas em Erev Shabat o maná caia em porções duplas, sendo que uma deveria ser guardada para o dia seguinte, pois seria Shabat. Moshê reserva um pouco de maná em um frasco a mando de D’us para ser descoberto por gerações futuras como testemunho da grandeza do Criador. Após recomeçarem nova jornada, há falta de água, mas Moshê bate na rocha e todos podem beber da fonte que dela jorra. A parsha termina com a luta entre Amalêc e Yehoshua e com a vitória de Yehoshua. D’us promete que a memória de Amalêc será extinta.

Mensagem da Parasha:
 
A Parasha continua abordando o ema do livro arbítrio e da vontade divina.  É o propósito do homem fazer aflorar as forças latentes do bem, tanto dentro dele como no mundo que o rodeia, do potencial até o factual.
Para este fim, o homem recebeu raciocínio e intelecto, portanto pelos seus poderes de entendimento e dedução ele pode ver, mesmo nas coisas mais comuns da vida, uma lição e encorajamento moral em seus deveres, e conduzir-se tanto com respeito ao seu Criador como a seu próximo. Por exemplo, a árvore – um exemplo que escolho aqui por causa do Ano Novo das Árvores. O que pode ser mais comum que a visão de uma árvore comum? À primeira vista, parece nada haver para despertar uma meditação especial. Porém, os judeus têm um Ano Novo das Árvores (a 15 de Shevat) e, além das razões pertinentes para uma ocasião dessas, pode-se refletir, aprender algumas lições bem úteis com ela.
A maioria das plantas, especialmente as árvores, consiste de várias partes, classificadas em três grupos principais: a raiz, o caule ou tronco principal (que sustenta os galhos e folhas) e o fruto (a casca, o fruto e a semente).
Estas três partes principais têm suas funções próprias. A raiz é o meio de obter do solo as substâncias nutritivas necessárias à vida da planta. Isso fornece também um firme entrelaçamento para a planta resistir ao vento. É certamente o mais importante agente da planta, embora as folhas também contribuam com o a seiva viva da planta, obtendo do ar e do sol as substâncias essenciais à sua existência.
O caule, ou tronco, fornece o corpo principal da árvore, e marca claramente o crescimento e desenvolvimento da árvore. Porém a árvore obtém a perfeição somente com a produção do fruto, pois nele está a semente para a propagação da espécie, geração após geração.
Ora, o ser humano é comparado a uma árvore (Devarim 20:19). Esta semelhança é particularmente marcada no sentido espiritual. A raiz é a fé, que conecta o judeu com sua origem e que, constantemente, obtém para ele a nutrição espiritual. O tronco – a Torá e as mitsvot [mandamentos]; estes devem crescer mesmo quando a idade de uma árvore aumenta seu tronco e ramos. Mas o fruto, que mais que qualquer outra coisa justifica a existência da árvore – são as boas ações do ser humano, aquelas mitsvot que beneficiam outros, bem como a ele próprio, e que tem dentro de si a semente que produz boas ações similares. Resumindo: as raízes do judeu e sua própria ligação com a origem de sua vida está em sua verdadeira fé em D’us e em todos os princípios fundamentais de nossa religião. A menos que as raízes sejam firmes, os ramos e folhas não suportarão o vento forte. O desenvolvimento e progresso e na verdade toda a estatura do judeu podem ser vistos por meio de suas boas ações, na prática da Torá e mitsvot. Finalmente, sua perfeição vem através do fruto, ao beneficiar o próximo, ajudando a perpetuar o grande legado nacional." (...) E este é o significado de "Aquele que beneficia a muitos, a virtude de muitos é creditada a ele.”
Fonte: http://www.chabad.org.br/novidades/2004/fevereiro/06_02_2004-04.htm


18/01/2013
Parasha Bô
Êxodo 10:1-13:16

D’us fala para Moshê e Aharon irem até o faraó para que este liberte o povo judeu da escravidão e, se assim não o fizer, D’us castigará o Egito enviando a 8a. praga ­–­ gafanhotos. Eles cobrirão a terra e acabarão com todo alimento e plantações que restaram, após a praga de granizo.
Ao saber que Moshê pretendia levar todo o povo judeu, homens, mulheres, crianças e todo o seu gado, o faraó permitiu somente a partida dos homens. O faraó volta as costas para Moshê e Aharon e então D’us manda os gafanhotos, dando início a destruição. A praga só cessa quando o faraó novamente implora a Moshê que reze a D’us para que interrompa a praga. No entanto, assim que desapareceram os gafanhotos, o coração do faraó endurece novamente, e ele não deixa os judeus partirem. D’us envia a 9a. praga: a escuridão completa. As trevas só afetavam os egípcios, que permaneciam no mesmo lugar, sentados ou em pé, sem poder se moverem Havia luz somente para os judeus. O faraó apela novamente para Moshê, e permite que partam, desde que deixem seu gado para trás. Moshê não concorda, pois o gado servirá de oferta de sacrifícios para D’us. O faraó, então, não os deixa partir.
D’us envia a última praga ao Egito: morte aos primogênitos. D’us instruiu Moshê e Aharon sobre o mês de Nissan, que será para o povo judeu o primeiro dos meses do ano. Fornece todos os detalhes envolvendo o Cordeiro Pascal, que seria preparado para a refeição que precede o Êxodo. O sangue dos cordeiros foi colocado como sinal nas casas dos judeus para que D’us "saltasse" sobre suas casas, ferindo somente os egípcios.
D’us estabelece a comemoração de Pessach e a proibição da ingestão de alimentos fermentados neste período. Também instrui, através de Moshê e Aharon, sobre a obrigação de todos os anos, nesta data, os pais judeus relatarem aos seus filhos o Êxodo do Egito e os milagres da libertação da escravidão, em todas as gerações. A parasha termina estabelecendo a mitsvá de Pidyon Haben (Resgate do Primogênito) e da colocação de tefilin.

Mensagem – O livre Arbítrio
O universo é uma sinfonia; D'us é o maestro. Cada átomo, cada sopro de vento, cada grão de sujeira é localizado e dirigido pelo supremo computador - D'us. Isso é Divina Providência - o conceito de que D'us não criou o universo e depois Se afastou para vê-lo arruinar-se por si mesmo, mas que Ele permanece ativamente envolvido, puxando alavancas, apertando botões e ligando chaves por detrás do cenário.
Por que Ele faz isso? Uma clássica história chassídica explica. Um rebe certa vez viu uma folha cair de uma árvore e voar até o chão. Ele perguntou à folha: "Por que você caiu?" A folha respondeu: "Não sei - meu galho sacudiu-me para fora."
O Rebe perguntou ao galho por que sacudira, e a resposta foi o vento. O vento não soube dizer por que soprara o galho, exceto que tinha sido libertado pelo seu anjo chefe. O anjo, por sua vez, disse ao Rebe que tinha recebido ordens do Próprio D'us para ventar. Então o Rebe fez a pergunta a D'us, e recebeu esta resposta: "Apanhe a folha." O Rebe apanhou-a da terra... para encontrar um pequeno verme abrigando-se na sombra formada embaixo da folha. Tudo - até o cair de uma folha - acontece por uma razão, e cabe a nós e nossa mente descobrir ou reconhecer a administração de D'us por detrás de tudo.
Por que Ele não Se envolve mais, ou menos? Bem, se D'us Se envolvesse mais na vida cotidiana, Ele teria de começar a fazer milagres. E assumir um papel mais dominante e agressivo na direção das ocorrências do universo é inversamente proporcional ao nosso Livre Arbítrio: quanto menos D'us estiver diretamente envolvido, mais liberdade temos, e quanto mais D'us está envolvido, menos liberdade teremos. Em outras palavras, se D'us começasse a atirar relâmpagos nos bandidos, teríamos a opção de fazer coisas más? Não. Mas por outro lado, nem D'us deseja estar totalmente não-envolvido. Portanto, Ele controla as pessoas - Ele controla a natureza. Se, por exemplo, Ele sabe que aquele lugar para onde você está indo não é bom para você, Ele não manda um raio - mas talvez envie um pneu furado.
Como funciona a Providência Divina? É bom não confundir: Divina Providência com negligência pessoal.
Se você ignorar seu despertador, levantar tarde e perder o ônibus para o trabalho, isso não é Divina Providência - é negligência pessoal. Se, entretanto, você pular da cama cedo, mas seu aquecedor está quebrado e você perde tempo chamando o eletricista ao invés de tomar banho, depois corre pela rua até o ponto do ônibus bem a tempo de vê-lo saindo, D'us está tentando dizer-lhe alguma coisa. Da mesma forma, se você faz algo descuidado, como consertar algo em casa no topo de uma escada de mão, cai e quebra a perna, não culpe D'us por isso! Ele não fez isso, você o fez. D'us não intervém diretamente na tomada de decisões pessoais - se Ele aparecesse com um milagre a cada vez que fizéssemos algo tolo, não haveria consequências e não aprenderíamos nossa lição.
Basicamente funciona assim: eventos e coisas que não podemos controlar são Providência Divina - o clima, a física, as leis da probabilidade. Eventos e coisas que podemos controlar não são - disciplina, responsabilidade. Se algo não dá certo, é porque D'us está lhe dizendo que é melhor que seja assim.
Você já teve uma ideia que apareceu na sua cabeça, vinda do nada? É D'us tentando dizer-lhe alguma coisa. Um exemplo clássico é o motorista, altas horas da noite, perdido no meio do nada. Nem uma alma à vista. De repente, aparece um táxi. O taxista encosta, o motorista aproxima-se e diz: "Graças a D'us você apareceu!" Com um olhar distante, o taxista responde: "Nunca passo por aqui - mas por alguma razão decidi fazer este caminho hoje..."
Isso é Hashgachá Pratit, Providência Divina. Mas isso significa que D'us controla o taxista? O que aconteceu ao seu Livre Arbítrio? Nada. Ainda está intacto. É que D'us inseriu em sua mente o impulso de fazer uma rota diferente, e ele teve o Livre Arbítrio de agir assim ou não, o que felizmente fez.
A palavra hebraica para "anjo" é "malach," que literalmente significa "mensageiro" ou "agente" e geralmente, D'us não envia anjos verdadeiros para fazer coisas para outrem - Ele envia a nós. Portanto, da próxima vez em que você tiver estas idéias "vindas do nada," ponha-as em ação - você se espantará com os resultados.
Fonte: http://www.chabad.org.br/novidades/2004/fevereiro/04_02_2004-04.htm

11/01/2013
Parashá Vaerá
Êxodo 6:2-9:35

A parashá começa com D’us afirmando a Moshê que redimirá o povo judeu da escravidão e o conduzirá a liberdade, a Terra que prometeu a Avraham, Yistchac e Yaacov por herança. D’us incumbiu Moshê e Aharon de irem ao encontro do faraó e pedir que liberte o povo de Israel. 
Instruiu-os a realizar um milagre, caso o faraó quisesse colocá-los à prova, de tomar a vara e jogá-la para que se transformasse em serpente e eles procederam conforme Suas instruções. O faraó chamou seus sábios e feiticeiros e pediu que fizessem o mesmo através de suas magias, mas a vara de Aharon tragou todas as outras varas enfurecendo o faraó e endurecendo seu coração, que não permitiu ao  povo judeu partir. Iniciam-se então as dez pragas do Egito. 
A primeira transformou as águas do Nilo em sangue, causando mal cheiro, morte dos peixes e impossibilitando aos egípcios beberem de seus mananciais. Cada vez que o faraó recusava-se a libertar o povo judeu do Egito, D’us enviava uma nova praga. Desta forma sucederam-se as pragas enviadas "com mão forte e braço estendido" de D’us sobre o Egito: após o sangue, as rãs, os piolhos, animais selvagens, cobras, escorpiões e serpentes, a peste, a sarna, chuva de granizo (gelo e fogo). A cada praga o faraó declarava que se a mesma se extinguisse, deixaria o povo partir, mas, novamente, assim que Moshê rezava para D’us para que parasse de ferir os egípcios, novamente o faraó mudava de ideia não permitindo ao povo partir.


Mensagem da Parashá: Grandes homens


Nessa porção semanal lemos sobre os nossos grandes líderes, Moshê e seu irmão Aharon. Os comentaristas notam que Moshê e Aharon permaneceram resolutos e dedicados em sua missão, do começo ao fim. Há um comentário muito difícil de se compreender: "Que outra coisa era de se esperar de tão grandes homens?" 
Talvez a intenção aqui seja nos dar uma lição muito significativa. Muitos líderes de grandes causas iniciam suas atividades com muito ardor, sinceridade e devoção. Com o decorrer do tempo, impressionados com a própria grandeza de sua posição, alteram sua atitude e começam a mudar sua sinceridade original; eles são os líderes que ninguém se atreve a atravessar no seu caminho ou sequer ousa duvidar de sua autoridade. Isso ocorreu com os líderes dos maiores impérios e repúblicas, e também, infelizmente, com lideranças da história judaica.
O Rei Shaul (Saul) começou sua carreira com humildade, mas no fim tornou-se um homem diferente que esqueceu da dedicação de seus antepassados. Com muita frequência encontramos em nossos dias homens e mulheres que começaram a trilhar um caminho com tremenda devoção e idealismo e que continuaram dirigindo as rédeas do poder com arrogância e orgulho.
Os comentaristas nos informam que isso não ocorreu com Moshê e Aharon. Permaneceram fiéis, justos e devotos do começo ao fim; o poder não lhes subiu à cabeça. Eram verdadeiros homens de D’us, homens dignos de liderança. Que possamos aprender de seu exemplo.
Fonte: http://www.chabad.org.br/tora/index.html


04/01/2013
Parashá Shemot 
Êxodo 1:1-6:1

A parashat Shemot, que inicia o segundo livro da Torá, começa citando os nomes dos filhos de Yaacov, enfatizando suas gerações por terem se conservado fiéis aos ensinamentos dos Patriarcas, apesar de habitarem no Egito, uma nação idólatra.
 O faraó governa o Egito, esquecendo os benefícios que Yossef trouxe para o país, tornando-o rico e próspero. Leis cruéis que visavam o enfraquecimento do Povo de Israel através da aflição e sofrimento foram decretadas pelo seu impiedoso poder.
 Duas parteiras judias, Shifrá e Puá, negam-se a cumprir o plano do faraó de matar todo menino judeu recém-nascido, dispostas a sacrificar a própria vida. Foram recompensadas em sua descendência formada por cohanim, leviim e reis.
 Nasce Moshê que é lançado por sua mãe nas águas do Rio Nilo para que sua vida fosse poupada. A filha do faraó, Batia, estende seu braço, que se alonga milagrosamente, e salva o menino. Moshê sofre com o trabalho escravo do povo judeu e acaba matando um egípcio em um episódio onde este golpeava covardemente um judeu. Moshê foge para Midian e acaba conhecendo Yitrô e casa-se com sua filha, Tsipora.
D’us se revela para Moshê através do fogo na sarça ardente e lhe incumbe a missão de libertar o povo judeu do Egito. D’us promete a Moshê que estenderá Sua mão e ferirá o Egito e por haver ainda temor por parte de Moshê, D’us lhe mostra Seu poder através de milagres; transforma um bastão em cobra e novamente em bastão; a mão de Moshê fica com a doença de tsahará e torna a ficar sã, novamente.
 Moshê, acompanhado de sua família, segue para o Egito a fim de salvar seu povo. Mas ao ver que se tornou ainda maior a ira do faraó impondo mais intensamente sua crueldade sobre os judeus, Moshê clama a D’us que lhe responde que com mão forte ferirá todo o Egito.
  
Mensagem da Parashá: Nunca perca o entusiasmo 

“Imagine que você tem trabalhado naquele emprego durante anos e anos. É trabalho duro, manual, e você não está simplesmente cansado; está exausto, esgotado e frustrado. Então, um belo dia, chega um sujeito novo no andar e promete um mundo inteiramente novo de igualdade, recompensas e suprema liberdade. Você acredita nele ou está além da esperança? Ousa esperar por um amanhã melhor e arriscar-se a ficar arrasado e desesperar-se novamente, ou você simplesmente aceita seu destino e desiste de sonhar? 
Assim aconteceu com nossos ancestrais no Egito. Tinham sido escravos durante todos aqueles anos quando apareceu um rosto novo e começou a fazer promessas. Moshê leva uma mensagem de D'us, de que eles serão redimidos, Há uma Terra Prometida esperando por eles. Nem tudo está perdido. Há uma luz no fim do túnel.
 A reação dos judeus? E eles não deram ouvidos a Moshê porque estavam com a respiração ofegante e cansados do trabalho duro.

Um comentário explica que “respiração ofegante” não deveria ser entendida apenas literalmente. A palavra hebraica para respiração é ruach, que também significa “entusiasmo”. Em outras palavras, eles não puderam considerar o chamado de Moshê não apenas por falta física de ar, mas porque careciam de entusiasmo. Tendo sofrido em cativeiro durante tanto tempo, eles não tinham mais a fé ou a esperança para crer que a liberdade ainda era possível. Simplesmente estava além deles. Tinham perdido o entusiasmo.
 Na história do Egito nem um único escravo jamais tinha escapado. Como poderia uma nação inteira sair livre? Moshê era um sonhador, eles devem ter pensado. Simplesmente não é realista manter tamanha esperança apenas para tê-la destruída novamente. E assim o povo foi totalmente descrente e desanimado, e portanto, não puderam ouvir e absorver a mensagem de Moshê.
 Isso acontece com frequência. As pessoas se tornam tão acomodadas em sua mediocridade que desistem de toda esperança para atingir a libertação. Casamentos ficam estagnados na rotina e o entediante ramerrão continua até perdermos inclusive o desejo de sonhar. E o povo de Israel, incluindo os corajosos líderes, estão tão desanimados pelos anos de guerra, atrito e terror que se apegam a qualquer palha imaginária porque, basicamente, se formos sinceros com nós mesmos, eles simplesmente perderam o entusiasmo. Tenho citado com frequência um sábio provérbio ouvido em nome do lendário chassid, Reb Mendel Futerfas: “Se você perder seu dinheiro, não perdeu nada. Dinheiro vai e dinheiro vem. Se você perdeu a saúde, perdeu metade. Você não é a pessoa que era antes. Mas se você perder seu entusiasmo, então perdeu tudo.”
 Moshê levou nova esperança a uma nação deprimida, sem sonhos. Devolveu a eles o entusiasmo que tinham perdido e por fim, através dos milagres de D'us, a promessa foi cumprida e o sonho se transformou em destino.
 Ficar com a respiração ofegante é normal. Ficar sem entusiasmo é algo a que o povo judeu jamais pode se dar ao luxo. Que jamais percamos o entusiasmo.”
Yossy Goldman In:
http://www.pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/2077722/jewish/Nunca-Perca-o-Entusiasmo.htm
 


14/12/2012
Parashá: Mikêts
Genesis 41:1-44:17


Mikêts inicia-se com o famoso sonho do faraó sobre sete vacas esqueléticas devorando sete vacas gordas, seguido por sete magras espigas de cereal devorando sete espigas saudáveis.
Quando seus conselheiros foram incapazes de resolver adequadamente a intrigante charada, o faraó chamou Yossef, que havia estado na prisão por sete anos, para interpretar seus sonhos. Creditando seu poder de interpretação unicamente a D'us, Yossef diz ao faraó que, após viverem sete anos de extraordinária abundância nas colheitas, o Egito seria assolado por sete anos de uma escassez devastadora.
Yossef aconselha o faraó a procurar um homem sábio para presidir a coleta e o armazenamento de grande quantidade de alimentos durante os anos de fartura. Impressionado pela brilhante interpretação, o faraó designa o próprio Yossef para ser o vice-rei do Egito, fazendo dele o segundo homem na hierarquia do país. 
A mulher de Yossef, Asnat, dá à luz dois filhos, Menashê e Efraim, e os anos de fartura e escassez acontecem como Yossef havia predito. Com a fome abatendo também a terra de Canaan, os irmãos de Yossef vão ao Egito para comprar alimentos. Como não reconhecem seu renomado irmão, Yossef põe em ação um plano para determinar se eles se arrependeram totalmente pelo pecado de tê-lo vendido quase vinte anos atrás.
Yossef age com indiferença e os acusa de serem espiões, mantendo Shimon como refém, enquanto o restante dos irmãos retorna com os alimentos para Canaan. Yossef, ainda não sendo reconhecido, conta-lhes que Shimon será libertado apenas quando retornarem ao Egito com o irmão mais novo. Relutante a princípio, mas confrontado pela escassez crescente, Yaacov finalmente concorda em permitir aos filhos que levem Binyamin com eles. Ao chegarem ao Egito, Yossef testa ainda mais os irmãos, tratando bem a todos, mas mostrando um grande favoritismo por Binyamin. 
Quando os irmãos finalmente voltam para casa com os baús repletos de cereais, Yossef esconde sua taça na sacola de Binyamin e este é acusado de ter roubado o precioso objeto. 
A porção termina com a ameaça pendente de que Binyamin será feito escravo do governante egípcio.


MENSAGEM: A Importância do Armazenamento
Por Benyamin Cohen

Ao informar o faraó do problema que se avizinhava, os sete anos de fome no Egito, Yossef sugere uma brilhante solução. Diz ao rei que estoque os armazéns com alimentos durante os sete anos precedentes de fartura, para assegurar a sobrevivência durante os sete anos de escassez. O conselho de Yossef foi não apenas pertinente à situação no Egito, como nos é relevante também nos dias de hoje.
O conceito de pegar os momentos de abundância e estocá-los a fim de serem usados durante os períodos de escassez pode ser aplicado à nossa vida diária. Muitas vezes, somos confrontados com exemplos de "fome" quando nossa força espiritual está fraca. A maneira pela qual usamos os momentos de "abundância" determinarão se enfrentaremos com sucesso os tempos difíceis. 
Yossef disse ao faraó para construir uma base na qual pudessem confiar durante os anos de escassez. Em certo sentido, é este tipo de alicerce que nos é necessário para sobreviver durante os tempos difíceis. Se, durante os anos de fartura, adquirimos as armas necessárias para ter sucesso na vida, então teremos a habilidade de sobreviver durante os anos de fome.
Fonte: http://www.chabad.org.br/tora/index.html



07/12/2012
Parasha: Vayêshev
Gênesis 37:1- 40:23

A Parashá Vayêshev inicia descrevendo o grande amor de Yaacov por seu filho Yossef, o que acaba provocando o ódio de seus irmãos. O ciúme deles cresce quando Yossef lhes conta os dois sonhos que indicam que eles serão um dia subservientes a ele.
Yaacov envia Yossef para vigiar seus irmãos que estão guardando o rebanho longe de casa, e ao vê-lo se aproximar, planejam matá-lo. Reuven convence os irmãos a não matarem Yossef, mas é incapaz de salvá-lo totalmente quando os irmãos vendem Yossef como escravo no Egito. Após mergulhar o casaco de Yossef em sangue, eles voltam ao pai, que acredita que seu amado filho foi morto por um animal selvagem.
A Torá faz uma digressão para relatar a história de Yehudá e sua nora, Tamar.
A narrativa volta-se então para Yossef no Egito, onde se torna um escravo que obtém sucesso e é encarregado dos negócios da família de seu amo Potifar. A esposa de Potifar tenta de todas as formas seduzir Yossef, que resiste sempre ao assédio. Ao sentir-se recusada, ela grita dizendo que ele tentou violentá-la.
Yossef é jogado na prisão onde novamente é alçado a uma posição de liderança, desta vez ficando encarregado dos prisioneiros. Dez anos depois, o mordomo chefe do faraó e o padeiro são jogados na mesma prisão. Certa noite eles têm um sonho intrigante, que Yossef interpreta de forma acurada, e a porção conclui quando o mordomo retorna a seu cargo antigo e o padeiro é executado, como Yossef havia predito.

Mensagem da Parashá: Compra por impulso
Por Joshua S. Feingold

"Os irmãos viram Yossef de longe; e quando ele ainda não havia se aproximado deles, conspiraram matá-lo"
Bereshit 37:18

Pela descrição da Torá dos irmãos tomando a decisão, a resolução deles parece muito imprudente. Assassinar o irmão não parece ser um ato premeditado. Apenas quando eles vêem Yossef chegando, começam a tramar contra ele, e após um encontro apressado, rapidamente decidem matá-lo. Reuven se interpôs e aconselhou os irmãos a não matar Yossef com suas próprias mãos, em vez disso, jogá-lo num fosso próximo. Secretamente, Reuven esperava resgatar Yossef das mãos dos irmãos, e levá-lo de volta a seu pai.
Sem entrarmos em detalhes sobre qual foi a razão dos irmãos em sua decisão de matar Yossef, talvez possamos nos deter nas medidas que Reuven tomou para impedir o assassinato, e examinando sua resposta ao plano dos irmãos podemos extrair uma valiosa lição de vida. 
Reuven teve a percepção de reconhecer que se os irmãos matassem Yossef agora, provavelmente se arrependeriam de suas ações mais tarde. Percebeu que se pudesse retardar os irmãos e dar-lhes algum tempo para refletir sobre a repercussão de suas ações, mudariam de ideia. Na verdade, convencendo os irmãos a esperar, ele salvou Yossef da morte certa. A Torá relata que depois que os irmãos ponderaram sobre suas ações mais cuidadosamente, decidiram vendê-lo como escravo, dizendo: "Que nossa mão não caia sobre ele, pois é nosso irmão, nosso próprio sangue". A verdade é que esta foi também uma decisão impensada, da qual se arrependeriam mais tarde.
Frequentemente tomamos decisões precipitadas e não refletimos bem sobre os nossos atos. Em algumas situações da vida, nossas ações não são necessariamente definitivas. Quando se trata de fazer uma compra, a maioria das lojas têm um bom sistema de devolução. Os proprietários de lojas sabem que muitos de nós vemos algum artigo que queremos e por impulso o compramos de imediato, apenas para perceber quando chegamos em casa que o impulso se desfez. Nós nos arrependemos por ter comprado o produto e o levamos de volta à loja. Como avisou-me um amigo certa vez: "Nunca vá ao supermercado em dia de jejum, pois acabará comprando todos os tipos de comida que jamais comerá." Num dia de jejum, tudo parece maravilhoso. Apenas após termos comida no estômago percebemos a estupidez do que fizemos.
Infelizmente, nem sempre há um método simples de desfazer aquilo que fizemos. O Rei Salomão disse em Cohêlet: "Os olhos de um homem sábio estão em sua cabeça." (2:14). Rashi explica que a pessoa sábia é aquela que age apenas depois de pesar as consequências. Aquele que toma decisões rápidas e impulsivas está agindo tolamente.
Devemos aprender com a estratégia de Reuven e prestar atenção ao conselho dos mais velhos. Devemos pensar em todos os possíveis resultados que obteremos através de nossos atos. Mesmo coisas triviais como compras devem merecer certa consideração.
Tente a seguinte experiência. Na próxima vez em que pensar em uma compra vultosa, espere alguns dias para ver se ainda deseja o artigo. Poderá poupar a si mesmo algum dinheiro e profundo arrependimento.

Fonte: http://www.chabad.org.br/novidades/2004/janeiro/14_01_2004-14.htm

30/11/2012
Parasha: Vayishlach
Gênesis 32:4-36:43

A Parashá Vayishlach inicia com Yaacov (Jacó) e sua família retornando da casa de Laban (Labão) para a Terra de Israel, apenas para encontrar Esav (Esaú) marchando em sua direção com 400 homens, aparentemente prontos para a batalha. Após preparar a família para a guerra e rezar a D'us pedindo ajuda, Yaacov tenta aplacar a ira de seu irmão, enviando-lhe inúmeros e valiosos presentes.
Depois da família cruzar o rio a fim de aguardar o encontro com Esav, Yaacov é deixado sozinho e entra noite adentro em confronto com um anjo disfarçado de homem. Embora Yaacov saia vitorioso, acaba ficando manco ao deslocar o quadril na luta. Unindo-se novamente à família, Yaacov encontra Esav, que o aceita com um recém-despertado amor fraterno, e insiste em escoltar Yaacov até seu destino.
Yaacov declara que não deseja incomodar Esav, e eles se separam. Uma nova crise ocorre quando a filha de Yaacov, Diná, é raptada e estuprada por Sechem, o príncipe de uma cidade do mesmo nome. Os filhos de Yaacov, ultrajados pela humilhação causada à irmã, engodam os habitantes da cidade a circuncidarem-se a si mesmos, assumindo que eles terão permissão de realizar casamentos mistos com a família de Yaacov.
Shimon e Levi (dois dos irmãos) dizimam então toda a cidade e salvam Diná. Yaacov retorna à Bet El, onde D'us lhe aparecera originalmente no sonho da escada (mencionado na porção da semana anterior) e lá constrói um altar. D'us abençoa Yaacov e lhe dá um nome adicional, Israel.
Logo depois, Rachel morre ao dar à luz a Binyamin (Benjamin), décimo segundo filho de Yaacov e segundo de Rachel, e Yaacov a sepulta em Bet Lechem. Finalmente, Yaacov volta para casa e se reúne a seu pai Yitschac. A Torá relata que Yitschac morreu aos 180 anos de idade, e a porção termina com uma demorada genealogia da família de Esav.

Mensagem da Parasha
Cuidar, seguir ou buscar?
Quando Shimon e Levi atacam a cidade de Shechem e subjugam os habitantes para salvar sua irmã Diná, a Torá muda de tom para descrevê-los como sendo "os dois filhos de Yaacov" (Bereshit 34:25). Nesta altura certamente já estamos bem informados sobre a genealogia deles. Rashi comenta que ao repetir o óbvio, a Torá está destacando o fato de que, embora obviamente eles fossem filhos de Yaacov, não estavam agindo como tal, pois não procuraram seu conselho a respeito desta questão.
Se nos perguntassem qual a qualidade essencial para que alguém seja considerado "agindo como um filho", nossa primeira idéia seria provavelmente honrando os pais ou cuidando de suas necessidades. Mas Rashi aparentemente está nos revelando algo diferente. Os fatores mais básicos para ser considerado como "um filho" é que busque o conselho de seus pais.
De fato, se examinarmos a etimologia da palavra hebraica para filho, "ben", temos a mesma impressão. Quando Nôach (Noé) nasceu, a Torá o declara fazendo referência a seu pai Lemech. "E ele teve um filho (ben)". Rashi comenta que a palavra ben está relacionada à forma radical "baná" significando construir, e que a partir de Nôach finalmente a palavra foi reconstruída. Na noite de sexta-feira e nos serviços matinais de Shabat nos referimos aos que estudam Sua Torá como "filhos' e "construtores". Por isso entendemos que o papel de um filho é construir algo sobre os princípios do pai; transformar em realidade suas idéias.
Assim, a Torá sutilmente repreende Shimon e Levi por agirem sem o conselho e consentimento de seu pai. Seu relacionamento era meramente biológico, pois não estavam agindo em concordância com sua vontade.
A Torá chama aos Filhos de Israel "filhos de D'us". Como filhos de D'us, devemos nos inspirar para realizar todas nossas ações consultando nosso pai, através de Sua Torá, para verdadeiramente construirmos este mundo sobre Seus princípios. Faça deste momento, deste seu momento, um momento de busca para construir uma vida melhor.

Fonte: http://www.chabad.org.br/novidades/2004/janeiro/14_01_2004-14.htm
23/11/2012
Parashá: Vayetsê
Genesis 28:10-32:3

Vayetsê começa com Yaacov fugindo de Esav e deixando a casa dos pais para viajar a Charan, onde ficará com seu tio Lavan (Labão). Ao passar a noite no local onde no futuro seria construído o Templo Sagrado, D'us aparece a Yaacov no sonho de uma escada descendo do céu até a terra, na qual anjos sobem e descem. Do topo da escada, D'us promete a Yaacov que seus descendentes herdarão a Terra de Israel.
Na sua chegada em Charan, após rolar uma imensa pedra da boca do poço da cidade para que os pastores do lugar pudessem dar água aos rebanhos, Yaacov encontra a filha de Lavan, Rachel, e concorda em trabalhar para seu pai por sete anos a fim de conseguir sua mão em casamento. Quando finalmente chega a noite do casamento, Lavan engana Yaacov, substituindo Rachel pela sua filha mais velha, Lea. Após esperar uma semana, Yaacov casa-se também com Rachel, mas não antes de ser forçado a cumprir mais sete anos de trabalho.
Nos anos que se seguem Rachel permanece estéril, enquanto Lea dá à luz a seis filhos e uma filha, e Bilá e Zilpá (as criadas de Rachel e Lea, respectivamente) cada uma tem dois filhos de Yaacov.
Finalmente Rachel tem um filho, Yossef. Yaacov torna-se muito rico durante sua estadia com Lavan, amealhando um grande rebanho, mesmo enquanto Lavan continuamente tenta enganá-lo por todos os vinte anos de sua permanência.
Após aconselhar-se com suas esposas, Yaacov e a família fogem de Lavan, que o persegue e o enfrenta, aborrecido por Yaacov ter ido embora sem se despedir, e arrogantemente afirmando que Yaacov roubou seus ídolos.
Após Lavan infrutiferamente procurar os ídolos (que Rachel escondeu, sem que Yaacov soubesse, para impedir o pai de adorá-los), Yaacov e Lavan entram em uma acalorada discussão. Finalmente assinam um acordo, prometendo permanecer em paz, e a porção se encerra quando eles se separam.

Mensagem da Parashá: Modelo para a Jornada da Vida
Durante sua ida da casa de seus pais em Bersheva à casa de Lavan em Charan, Yaacov acampa para passar a noite num local que mais tarde chamará de Bet El. A Torá declara que ele pegou algumas pedras, colocou-as ao redor da cabeça, e foi dormir (Bereshit 28:11). Rashi (Rabi Shlomo Yitzhaki, 22 de fevereiro de 1040 – 13 de julho de 1105, rabino francês famoso como o autor dos primeiros comentários compreensivos sobre o Talmud, Torá e Tanach, e são companhia indispensável para ambos estudantes casuais e sérios dos textos primários do judaísmo) observa que as pedras serviram para proteger Yaacov dos animais selvagens. Esta explicação apresenta uma dúvida: por que Yaacov não camuflou todo seu corpo com pedras? Por que rodeou apenas a cabeça?

A viagem de Yaacov de Bersheva a Charan pode ser entendida como um modelo para a jornada da vida: que todos comecemos nossa vida em Bersheva, um lar caloroso e acolhedor, e mais ainda, um oásis para o crescimento moral e espiritual! Chega a hora, entretanto, quando o cordão umbilical é cortado e devemos enfrentar o mundo "real", com todos seus desafios e obstáculos. A palavra Charan está associada à palavra hebraica charon, que significa "raiva". É uma metáfora para o mundo em geral, onde o materialismo luta com a espiritualidade e "enfurece" D'us.
Yaacov sabia que se envolveria em assuntos mundanos e materiais. Ele, e nós também, não temos outra escolha senão fazê-lo. Entretanto, ele resolveu se proteger para não ficar obcecado e envolvido nestes assuntos, pois eles levam a um comportamento imoral e decadente.
Yaacov desejava expor suas mãos e pés a Charan, mas não sua cabeça. Fisicamente ele faria tudo que fosse necessário para funcionar e mesmo ter sucesso no mundo secular, repleto de animais de todas as formas e tamanhos, mas sua paixão e amor pela Torá e pelo desenvolvimento espiritual seria sempre preservado e cultivado.
Fonte: http://www.beitchabad.org.br

16/11/2012
Parashá: Toledot
Genesis 25:19-28:9

Yitschac casa-se com Rivca. Após vinte anos sem filhos, suas preces são atendidas e Rivca concebe. Ela passa por uma gravidez difícil, pois “as crianças lutam dentro dela”. D’us diz a Rivca que “há duas nações em seu ventre,” e a mais jovem prevalecerá sobre a mais velha.
Essav emerge primeiro; Yaacov nasce agarrado ao calcanhar de Essav. Este cresce para ser um “exímio caçador, um homem do campo”; Yaacov é um “homem íntegro”, que habita as tendas de estudo. Yitschac favorece Essav; Rivca ama Yaacov. Voltando exausto e faminto de uma caçada certo dia, Essav vende seu direito de primogenitura a Yaacov por um prato de lentilhas.
Em Gerar, na terra dos filisteus, Yitschac apresenta Rivca como sua irmã, por medo de ser morto por alguém que cobice a beleza dela. Ele cultiva a terra, reabre os poços cavados por seu pai Avraham, e abre uma série de poços próprios: sobre os primeiros dois há conflitos com os filisteus, porém as águas do terceiro poço são desfrutadas com tranquilidade.
Essav casa-se com duas mulheres hititas. Yitschac fica velho e cego, e expressa seu desejo de abençoar Essav antes de morrer. Enquanto Essav sai para caçar o alimento preferido do pai, Rivca veste Yaacov com as roupas de Essav, cobre seus braços e pescoço com pele de cabra para simular o toque de seu irmão mais peludo, prepara um prato saboroso de lentilhas, e envia Yaacov ao pai.
Yaacov deixa o lar e vai para Charan para fugir da ira de Essav e para encontrar uma esposa na família do irmão de sua mãe, Laban. Essav toma uma terceira esposa, Machlat, filha de Ishmael.

Mensagem da Parashá: Uma Panela de Grãos

Na porção da Torá desta semana, lemos a respeito do nascimento de Yaacov e Esav, e das diferentes naturezas e interesses caracterizando cada um de seus filhos. Yaacov é o diligente estudante de Torá, ao passo que Esav demonstra talento para a caça e para montar armadilhas para animais. Esav cresce desviando-se totalmente do caminho moral e não vê restrições em sua ânsia para satisfazer seus desejos.
O Midrash nos diz que no mesmo dia em que Avraham morreu, Esav cometeu alguns dos crimes mais abjetos, incluindo o pecado capital de assassinato e estupro, voltando para casa naquela noite completamente exausto, à beira de um colapso. Isso é o que a Torá quer dizer quando nos conta que Esav chegou cansado do campo (Bereshit 25:29).
O faminto Esav percebe seu irmão Yaacov preparando um delicioso cozido de lentilhas (que seria servido a Yitschac durante a primeira refeição servida aos enlutados assim que voltam do cemitério). Com seus modos tipicamente rudes, Esav implora a Yaacov que lhe dê uma porção de lentilhas. Yaacov oferece-lhe a comida em troca do direito espiritual de primogenitura reservado ao filho mais velho. Esav reflete sobre a oferta e cinicamente, aceita sem vacilar: "De qualquer forma vou morrer algum dia, então de que me serve o direito a primogenitura?"(ibid. 25:32). Incrivelmente, Esav dispensa a eternidade e a distinção espiritual por uma panela de grãos! Uma panela de grãos! Está louco?
Melhor do que lidar com Esav e seu distorcido senso de valores, devemos olhar para dentro de nós mesmos: será que nós também não desperdiçamos oportunidades de adquirir a eternidade por nossa própria versão de "uma panela de grãos"?
Nossos rabinos nos falam sobre o imenso mérito que a pessoa recebe por responder com a frase "Y'hei sh'mei rabá mevorach…” – “Bendito seja Seu santo nome…" durante o Cadish. Tal resposta tem o poder de anular toda uma vida de severos decretos ordenados contra nós. Mas quantos de nós desperdiçamos esta oportunidade falando bobagens com nossos amigos, ao invés de nos atermos ao poderoso momento espiritual? Quando confrontados com a escolha de ir à sinagoga ou permanecer na cama prolongando nosso sono, qual escolha fazemos?
Quando o rabino fala mesmo uma brevedrashá ou comenta alguma halachá entre os serviços de Minchá e Ma'ariv, corremos para escutar as lições, ou saímos para escutar as novidades? Não estaremos também jogando fora as chances da eternidade, em troca de uma "panela de grãos?"
Esav pode ter sido insano, mas também podemos encontrar um pouco de Esav dentro de nós, e devemos fazer de tudo para eliminá-lo. Que D’us nos conceda a sabedoria para fazer a escolha certa.
Fonte: http://www.beitchabad.org.br

23/11/2012
Parashá: Vayetsê
Genesis 28:10-32:3

Vayetsê começa com Yaacov fugindo de Esav e deixando a casa dos pais para viajar a Charan, onde ficará com seu tio Lavan (Labão). Ao passar a noite no local onde no futuro seria construído o Templo Sagrado, D'us aparece a Yaacov no sonho de uma escada descendo do céu até a terra, na qual anjos sobem e descem. Do topo da escada, D'us promete a Yaacov que seus descendentes herdarão a Terra de Israel.
Na sua chegada em Charan, após rolar uma imensa pedra da boca do poço da cidade para que os pastores do lugar pudessem dar água aos rebanhos, Yaacov encontra a filha de Lavan, Rachel, e concorda em trabalhar para seu pai por sete anos a fim de conseguir sua mão em casamento. Quando finalmente chega a noite do casamento, Lavan engana Yaacov, substituindo Rachel pela sua filha mais velha, Lea. Após esperar uma semana, Yaacov casa-se também com Rachel, mas não antes de ser forçado a cumprir mais sete anos de trabalho.
Nos anos que se seguem Rachel permanece estéril, enquanto Lea dá à luz a seis filhos e uma filha, e Bilá e Zilpá (as criadas de Rachel e Lea, respectivamente) cada uma tem dois filhos de Yaacov.
Finalmente Rachel tem um filho, Yossef. Yaacov torna-se muito rico durante sua estadia com Lavan, amealhando um grande rebanho, mesmo enquanto Lavan continuamente tenta enganá-lo por todos os vinte anos de sua permanência.
Após aconselhar-se com suas esposas, Yaacov e a família fogem de Lavan, que o persegue e o enfrenta, aborrecido por Yaacov ter ido embora sem se despedir, e arrogantemente afirmando que Yaacov roubou seus ídolos.
Após Lavan infrutiferamente procurar os ídolos (que Rachel escondeu, sem que Yaacov soubesse, para impedir o pai de adorá-los), Yaacov e Lavan entram em uma acalorada discussão. Finalmente assinam um acordo, prometendo permanecer em paz, e a porção se encerra quando eles se separam.

Mensagem da Parashá: Modelo para a Jornada da Vida
Durante sua ida da casa de seus pais em Bersheva à casa de Lavan em Charan, Yaacov acampa para passar a noite num local que mais tarde chamará de Bet El. A Torá declara que ele pegou algumas pedras, colocou-as ao redor da cabeça, e foi dormir (Bereshit 28:11). Rashi (Rabi Shlomo Yitzhaki, 22 de fevereiro de 1040 – 13 de julho de 1105, rabino francês famoso como o autor dos primeiros comentários compreensivos sobre o Talmud, Torá e Tanach, e são companhia indispensável para ambos estudantes casuais e sérios dos textos primários do judaísmo) observa que as pedras serviram para proteger Yaacov dos animais selvagens. Esta explicação apresenta uma dúvida: por que Yaacov não camuflou todo seu corpo com pedras? Por que rodeou apenas a cabeça?

A viagem de Yaacov de Bersheva a Charan pode ser entendida como um modelo para a jornada da vida: que todos comecemos nossa vida em Bersheva, um lar caloroso e acolhedor, e mais ainda, um oásis para o crescimento moral e espiritual! Chega a hora, entretanto, quando o cordão umbilical é cortado e devemos enfrentar o mundo "real", com todos seus desafios e obstáculos. A palavra Charan está associada à palavra hebraica charon, que significa "raiva". É uma metáfora para o mundo em geral, onde o materialismo luta com a espiritualidade e "enfurece" D'us.
Yaacov sabia que se envolveria em assuntos mundanos e materiais. Ele, e nós também, não temos outra escolha senão fazê-lo. Entretanto, ele resolveu se proteger para não ficar obcecado e envolvido nestes assuntos, pois eles levam a um comportamento imoral e decadente.
Yaacov desejava expor suas mãos e pés a Charan, mas não sua cabeça. Fisicamente ele faria tudo que fosse necessário para funcionar e mesmo ter sucesso no mundo secular, repleto de animais de todas as formas e tamanhos, mas sua paixão e amor pela Torá e pelo desenvolvimento espiritual seria sempre preservado e cultivado.
Saiba +
Fonte: http://www.beitchabad.org.br

16/11/2012
Parashá: Toledot
Genesis 25:19-28:9

Yitschac casa-se com Rivca. Após vinte anos sem filhos, suas preces são atendidas e Rivca concebe. Ela passa por uma gravidez difícil, pois “as crianças lutam dentro dela”. D’us diz a Rivca que “há duas nações em seu ventre,” e a mais jovem prevalecerá sobre a mais velha.
Essav emerge primeiro; Yaacov nasce agarrado ao calcanhar de Essav. Este cresce para ser um “exímio caçador, um homem do campo”; Yaacov é um “homem íntegro”, que habita as tendas de estudo. Yitschac favorece Essav; Rivca ama Yaacov. Voltando exausto e faminto de uma caçada certo dia, Essav vende seu direito de primogenitura a Yaacov por um prato de lentilhas.
Em Gerar, na terra dos filisteus, Yitschac apresenta Rivca como sua irmã, por medo de ser morto por alguém que cobice a beleza dela. Ele cultiva a terra, reabre os poços cavados por seu pai Avraham, e abre uma série de poços próprios: sobre os primeiros dois há conflitos com os filisteus, porém as águas do terceiro poço são desfrutadas com tranquilidade.
Essav casa-se com duas mulheres hititas. Yitschac fica velho e cego, e expressa seu desejo de abençoar Essav antes de morrer. Enquanto Essav sai para caçar o alimento preferido do pai, Rivca veste Yaacov com as roupas de Essav, cobre seus braços e pescoço com pele de cabra para simular o toque de seu irmão mais peludo, prepara um prato saboroso de lentilhas, e envia Yaacov ao pai.
Yaacov deixa o lar e vai para Charan para fugir da ira de Essav e para encontrar uma esposa na família do irmão de sua mãe, Laban. Essav toma uma terceira esposa, Machlat, filha de Ishmael.

Mensagem da Parashá: Uma Panela de Grãos

Na porção da Torá desta semana, lemos a respeito do nascimento de Yaacov e Esav, e das diferentes naturezas e interesses caracterizando cada um de seus filhos. Yaacov é o diligente estudante de Torá, ao passo que Esav demonstra talento para a caça e para montar armadilhas para animais. Esav cresce desviando-se totalmente do caminho moral e não vê restrições em sua ânsia para satisfazer seus desejos.
O Midrash nos diz que no mesmo dia em que Avraham morreu, Esav cometeu alguns dos crimes mais abjetos, incluindo o pecado capital de assassinato e estupro, voltando para casa naquela noite completamente exausto, à beira de um colapso. Isso é o que a Torá quer dizer quando nos conta que Esav chegou cansado do campo (Bereshit 25:29).
O faminto Esav percebe seu irmão Yaacov preparando um delicioso cozido de lentilhas (que seria servido a Yitschac durante a primeira refeição servida aos enlutados assim que voltam do cemitério). Com seus modos tipicamente rudes, Esav implora a Yaacov que lhe dê uma porção de lentilhas. Yaacov oferece-lhe a comida em troca do direito espiritual de primogenitura reservado ao filho mais velho. Esav reflete sobre a oferta e cinicamente, aceita sem vacilar: "De qualquer forma vou morrer algum dia, então de que me serve o direito a primogenitura?"(ibid. 25:32). Incrivelmente, Esav dispensa a eternidade e a distinção espiritual por uma panela de grãos! Uma panela de grãos! Está louco?
Melhor do que lidar com Esav e seu distorcido senso de valores, devemos olhar para dentro de nós mesmos: será que nós também não desperdiçamos oportunidades de adquirir a eternidade por nossa própria versão de "uma panela de grãos"?
Nossos rabinos nos falam sobre o imenso mérito que a pessoa recebe por responder com a frase "Y'hei sh'mei rabá mevorach…” – “Bendito seja Seu santo nome…" durante o Cadish. Tal resposta tem o poder de anular toda uma vida de severos decretos ordenados contra nós. Mas quantos de nós desperdiçamos esta oportunidade falando bobagens com nossos amigos, ao invés de nos atermos ao poderoso momento espiritual? Quando confrontados com a escolha de ir à sinagoga ou permanecer na cama prolongando nosso sono, qual escolha fazemos?
Quando o rabino fala mesmo uma brevedrashá ou comenta alguma halachá entre os serviços de Minchá e Ma'ariv, corremos para escutar as lições, ou saímos para escutar as novidades? Não estaremos também jogando fora as chances da eternidade, em troca de uma "panela de grãos?"
Esav pode ter sido insano, mas também podemos encontrar um pouco de Esav dentro de nós, e devemos fazer de tudo para eliminá-lo. Que D’us nos conceda a sabedoria para fazer a escolha certa.
Saiba +
Fonte: http://www.beitchabad.org.br

09/11/2012
Parashá: Chayê Sara
Genesis 23:1-25:18

Chayê Sara começa com a morte de Sara na idade de 127, e a busca de Avraham (Abraão) por um local apropriado que fosse digno de sua grandeza. Avraham recusa-se a aceitar a generosa oferta de Efron (um membro da nação chitita que vivia na terra de Israel) de dar-lhe Mearat Hamachpela na cidade de Hebron sem custo algum, e Avraham termina por pagar uma enorme soma de dinheiro pelo lote onde finalmente sepulta sua amada esposa.
            Avraham envia seu fiel servo, Eliezer, de volta a seu país de origem e à sua família, a fim de encontrar uma esposa conveniente para Yitschac. Chegando à cidade de Aram Naharaim, Eliezer alinhava um plano pelo qual conseguirá selecionar uma moça recatada e generosa, apropriada para o filho de seu amo.
            Eliezer reza a D'us para que Ele lhe conceda sucesso nesta missão, fazendo o plano funcionar. Decide ficar à beira do poço da cidade, esperando que uma moça lhe ofereça, e a seus camelos, água para beber. Esta pessoa, que dar-se-ia ao trabalho de puxar água para um estranho e seus dez camelos, indo além do cumprimento do dever, certamente possuiria um grande caráter.
            Rivka passa pelo teste e, após receber presentes enviados por Avraham, ela leva Eliezer à casa de seu pai. Eliezer conta os eventos do dia à família da moça e pede a Rivca que volte com ele para desposar Yitschac. Ela aceita e eles se casam.
            Tendo sido o papel de Avraham como pai do povo judeu completado e o manto da liderança passado à próxima geração, a porção se encerra com uma breve genealogia dos outros filhos de Avraham com sua esposa Keturá (que muitos comentaristas afirmam ser, na verdade, Hagar) e sua morte com a idade de 175.
            Ele é enterrado ao lado de Sara pelos seus dois filhos mais velhos, Yitschac e Ishmael.

Mensagem da Parashá: Vivendo com Significado
            Certa vez foi perguntado a um rabino se ele fizera quaisquer planos para a aposentadoria. Respondeu sucintamente: "Pretendo me aposentar quando D'us me aposentar. Até lá, não tenho planos de aposentadoria."
            A Torá nos diz que Avraham (Abraão) era velho, avançado em anos (Bereshit 24:1). Literalmente, a Torá usa o termo que Avraham era "entrado em dias."
            Os comentaristas interpretam isso como significando que Avraham era capaz de fazer cada dia de sua vida ter um significado, mesmo em idade avançada. Além disso, ele podia se lembrar daquilo que conseguiu em cada um dos dias de sua vida, pois cada um deles foi um dia de conquistas; e mesmo quando envelheceu, sua paixão pelas boas ações não arrefeceu. Ainda conseguia encontrar energia e sabedoria para trazer um significado à sua existência cotidiana.
As consistentes conquistas de Avraham durante sua longa vida, apesar das vicissitudes do tempo e da adversidade que teve de enfrentar, fornecem um modelo a cada um de nós.
            Ao envelhecermos, não precisamos nos tornar menos produtivos, ou ficar mais lentos intelectual ou espiritualmente, nem temos de nos acostumar a dias inúteis e atividades improdutivas. Tendo Avraham como fonte de inspiração, podemos tornar estes últimos, os dias de ouro de nossa vida.
 Fonte:  http://www.beitchabad.org.br/



2/11/2012
Porção Semanal:  Vayerá
Genesis 18:1-22:24

            A Parashá Vayerá inicia-se com a incrível demonstração de bondade por Avraham aqueles que ele pensa serem três homens, mas que na verdade são anjos enviados por D'us, apesar de seu extremo desconforto pelo recente brit milá, (circuncisão).
            Os anjos entregam sua mensagem, declarando que Sara milagrosamente dará à luz a seu primeiro filho no prazo de um ano, com a idade de 90 anos (o próprio Avraham teria cem anos). Em seguida, eles seguem para a cidade de Sodoma. D'us informa a Avraham que as cidades de Sodoma e Gomorra serão destruídas por causa da perversidade, e Avraham responde com uma longa prece e dialoga com D'us pedindo pelo salvamento das cidades.
            Incapaz de encontrar dez cidadãos íntegros, D'us começa a destruir as cidades, mas não antes que os anjos salvem o sobrinho de Avraham, Lot e sua família, da destruição. Acreditando que o mundo inteiro havia sido destruído, as duas filhas de Lot embebedam o pai, para que ambas possam ficar grávidas dele e cada uma acaba tendo um filho.
            Sara é raptada por Avimelech, o rei de G'rar, que não havia percebido que ela era casada. D'us reage castigando-o com uma peste, que o impede de tocá-la, e informa Avimelech que Sara é casada. Ela, então, é imediatamente libertada.
            Sara concebe e dá à Luz Yitschac (Isaac), e Avraham faz uma grande comemoração. Sara vê Ishmael (o filho de Avraham com Hagar) como uma ameaça ao bem-estar espiritual de seu próprio filho. Relutante a princípio, Avraham segue a ordem de D'us, de dar ouvidos à esposa, expulsando Ishmael e Hagar de sua casa. Com Ishmael a ponto de morrer de sede no deserto, D'us escuta seus gritos e faz com que Hagar encontre um poço de água, e com isso o jovem é salvo.
            Avraham assina um pacto com Avimelech na cidade de Be'er Sheva, e vivem em paz por muitos anos. A porção da Torá conclui com a akeidá, o altar, o décimo e último teste de Avraham, no qual ele demonstra sua boa vontade em aquiescer à ordem do Criador, de oferecer seu amado filho Yitschac em sacrifício.

Mensagem da Parashá: Paradoxalmente, quanto mais pessoal é a jornada, mais necessitamos de auxílio e conselhos.

Um senso de direção bem desenvolvido pode nos guiar através do sistema de estradas mais complicado; um senso social perspicaz pode negociar as políticas mais embaralhadas; os dados e padrões de aprendizagem armazenados em nosso cérebro facilitam nossa busca de novos campos de estudo. Mas quando procuramos um caminho para o interior de nós mesmos, o conhecimento e as habilidades de uma vida inteira tornam-se subitamente ineficazes. Encontramo-nos nas trevas, sem outro recurso que o de chamar nosso Criador: "D'us, quem sou eu?" clamamos. "Dá-me uma pista, diga-me por que me fizeste."
            Este paradoxo está implícito na primeira instrução registrada na Torá para o primeiro judeu. Quando Avraham recebe ordens de "Vá por si mesmo," este homem engenhoso e auto-suficiente é ordenado a deixar de lado seus talentos inatos ("tua terra"), a personalidade desenvolvida em sete décadas e meia de interação com seu meio-ambiente ("teu local de nascimento"), e a sabedoria descoberta e formulada por sua mente fenomenal ("da casa de teu pai"), e seguir "cegamente" D'us até "a terra que Eu te mostrarei."
            Em nossas jornadas externas, nosso conhecimento, talentos e personalidade são as ferramentas com as quais exploramos o mundo além de nós. Mas ao buscarmos nosso verdadeiro "eu", estas mesmas ferramentas - que constituem um "eu" exterior e auto-imposto por si mesmo - oculta tanto quanto revela, distorce ao mesmo tempo em que ilumina.
Empregamos estas ferramentas em nossa busca - não possuímos outras. Porém, se nossa jornada deve levar à quintessência do "eu", ao invés de algo ilusório, deve ser guiada por Ele, que nos criou à Sua imagem, e esboçou o projeto de nossa alma em Sua Torá.
Fonte: http://www.pt.chabad.org

26/10/2012
Parashá Lech Lechá
Genesis 12:1-17:27

A Parashá Lech Lechá inicia-se com o chamado de D'us a Avraham, para que deixasse sua terra de origem e a casa de seu pai, sua posição de status e prosperidade, e viajasse à terra que Ele lhe mostraria.
Na chegada, com sua esposa Sara e o sobrinho Lot, na terra de Israel, eles descobrem que a terra foi assolada por uma terrível escassez e por esta razão vão ao Egito para uma breve estadia. Os egípcios imediatamente capturam Sara, a quem Avraham havia identificado como sua irmã, e a levam ao Rei Egípcio. 
D'us reage afligindo o rei e sua família com uma peste debilitante até que a liberte, quando então eles retornam à terra de Israel. Os pastores de Avraham e Lot começaram a brigar e os dois decidem se separar, com Lot escolhendo as férteis planícies de Sodoma como sua porção. 
A Torá então descreve a guerra infame entre os quatro reis e os cinco reis, durante a qual Lot é feito prisioneiro. A reação de Avraham o faz derrotar miraculosamente os quatro reis previamente vitoriosos e salvar seu sobrinho. Depois, se recusa a ficar com as honrarias ou os despojos de guerra para si.
D'us reafirma a Avraham que Ele está a seu lado, e promete que seus descendentes serão tantos que serão incontáveis como as estrelas no céu. O Criador então entra na simbólica Aliança Entre as Partes, com Avraham, prometendo que seus filhos herdarão a terra de Israel, mas não antes de serem exilados numa longa servidão. 
Como não tem filhos, Sara dá sua serva Hagar a Avraham como esposa, e nasce seu filho Ishmael. Avraham tinha 86 anos. Treze anos depois, D'us muda o nome de Avram (Abrão) para Avraham (“pai das multidões”), e o de Sarai para Sara (“princesa”).
D’us promete que um filho nascerá para eles; a partir dessa criança, que eles deverão chamar de Yitschac (“dará risada”), brotará uma grande nação com a qual D’us estabelecerá um vínculo especial. Abraham é ordenado a circuncidar a si mesmo e aos seus descendentes como um “sinal do pacto entre Mim e vocês.”, aos 99 anos.

Mensagem da Parashá: Em busca da essência
Quando Avraham completou 75 anos, veio a Divina Ordem: "Vá por si mesmo!" Agora que completou suas explorações e atingiu seus objetivos, volte-se interiormente e embarque numa jornada até o âmago de seu próprio ser.
Paradoxalmente, quanto mais pessoal é a jornada, mais necessitamos de auxílio e conselhos.
Um senso de direção bem desenvolvido pode nos guiar através do sistema de estradas mais complicado; um senso social perspicaz pode negociar as políticas mais embaralhadas; os dados e padrões de aprendizagem armazenados em nosso cérebro facilitam nossa busca de novos campos de estudo. Mas quando procuramos um caminho para o interior de nós mesmos, o conhecimento e as habilidades de uma vida inteira tornam-se subitamente ineficazes. Encontramo-nos nas trevas, sem outro recurso que o de chamar nosso Criador: "D'us, quem sou eu?" clamamos. "Preciso de uma pista para descobrir o motivo pelo qual fui criado."
Este paradoxo está implícito na primeira instrução registrada na Torá para o primeiro judeu. Quando Avraham recebe ordens de "Vá por si mesmo," este homem engenhoso e auto-suficiente é ordenado a deixar de lado seus talentos inatos ("tua terra"), a personalidade desenvolvida em sete décadas e meia de interação com seu meio-ambiente ("teu local de nascimento"), e a sabedoria descoberta e formulada por sua mente fenomenal ("da casa de teu pai"), e seguir "cegamente" D'us até "a terra que Eu te mostrarei."
Em nossas jornadas externas, nosso conhecimento, talentos e personalidade são as ferramentas com as quais exploramos o mundo além de nós. Mas ao buscarmos nosso verdadeiro "eu", estas mesmas ferramentas - que constituem um "eu" exterior e auto-imposto por si mesmo - oculta tanto quanto revela, distorce ao mesmo tempo em que ilumina.

Empregamos estas ferramentas em nossa busca - não possuímos outras. Porém se nossa jornada deve levar à quintessência do "eu", ao invés de algo ilusório, deve ser guiada por Ele, que nos criou à Sua imagem, e esboçou o projeto de nossa alma em Sua Torá.

Saiba +

Fonte:http://www.pt.chabad.org 

 

19/10/2012
Parashat Noach
Genesis 6:9-11:32

D’us instrui Nôach – o único homem justo num mundo consumido pela violência e corrupção – a construir uma grande arca de madeira revestida por dentro e por fora com breu. “Um grande dilúvio”, diz D’us, “varrerá toda a vida da face da terra; porém a arca flutuará sobre a água, abrigando Nôach e sua família, além de dois membros (macho e fêmea) de cada espécie animal.”
A chuva durou 40 dias e 40 noites, e as águas agitaram-se por mais 150 dias antes de acalmarem-se e começarem a baixar. A arca pousou sobre o Monte Ararat, e de sua janela Nôach despachou um corvo, e depois uma série de pombos “para ver se as águas abaixaram da face da terra.” Quando o solo secou completamente – a exatos 365 dias do início do Dilúvio – D’us ordenou a Nôach que saisse da teivá, arca, para repovoar a terra.
Nôach construiu um altar e ofereceu sacrifícios a D’us, que prometeu jamais destruir novamente a humanidade por causa de suas ações, e enviou o arco-íris como testemunha de Seu novo pacto com o homem. D’us também ordenou a Nôach para considerar a vida sagrada: o assassinato é considerado uma ofensa capital, e embora o homem tenha permissão de comer carne dos animais, está proibido de comer carne ou sangue tirado de um animal vivo ou causar-lhe qualquer tipo de sofrimento.
Nôach plantou uma vinha e ficou embriagado ao consumir o fruto de sua produção. Dois de seus filhos, Shem e Jafet, são abençoados por cobrir a nudez do pai, ao passo que seu terceiro filho, Ham, é amaldiçoado por tirar vantagem de sua degradação. 
Os descendentes de Nôach permaneceram um único povo, com uma só língua e cultura, durante dez gerações. Então desafiaram o Criador, construindo uma grande torre para simbolizar a própria invencibilidade; D’us confunde sua linguagem para que “um não compreenda a língua do outro,” fazendo com que abandonem seu projeto e se dispersem pela face da terra, dividindo-se em setenta nações.
A Parashá conclui com uma cronologia das dez gerações de Nôach a Abrão (mais tarde Avraham), e a jornada deste do seu local de nascimento, Ur Casdim, para Haran, a caminho da Terra de Canaã.
  
Mensagem da Parashá: Minimizando o Milagre 
"E de todo o vivo, de toda a criatura, dois de tudo, trarás à arca..." 
Com esta instrução, Nôach é ordenado a preservar cada espécie que existia sobre a terra. Embora esta certamente pareça ser a coisa certa a ser feita, parece também ser uma tarefa impossível. Com as dimensões da arca limitadas a proporções relativamente modestas, parece altamente improvável que todos os animais encontrassem espaço na embarcação. Como, então, esperava-se que Nôach pudesse cumprir tal ordem?
Felizmente, Nôach não precisava se preocupar. Como o grande Ramban explica, as medidas da arca, embora de acordo com as leis da natureza, de maneira alguma poderiam abrigar todas as espécies existentes na terra, D'us neste caso suspendeu estas leis, de forma a preservar Sua criação. Com este milagre, cada animal tinha amplo espaço dentro da arca.

Entretanto, imediatamente nos deparamos com outra dificuldade: como a necessidade de um milagre parece inevitável, por que D'us deu a Nôach instruções tão precisas sobre medidas e outros detalhes da arca? Por que fazer Nôach se dar tanto trabalho? Por que não permitir a Nôach que construísse uma simples jangada feita de duas pranchas de madeira?
Uma vez mais, o Ramban (Rabi Moshe ben Nachman, ou Nachmánides, 1194-1270, rabino catalão, médico e grande conhecedor da Torá, tendo como um dos principais foco de interesse a cabala) fornece a solução. Embora um milagre fosse realmente necessário para o bem de todos aqueles animais aguardando para entrar na arca, o Criador desejava "minimizar" aquele milagre do modo que fosse possível. Sendo assim, Ele instruiu Nôach a construir um navio grande e sólido que pudesse ao menos suportar muitos dos animais. Apenas após a real capacidade da arca ter sido preenchida, D'us suspenderia as leis da natureza para criar amplo espaço para os animais remanescentes.
Claramente, esta explicação fornece uma lição óbvia. Como o próprio Ramban declara, o Criador não deseja que confiemos apenas em milagres. O homem não pode simplesmente sentar-se e esperar que D'us preencha todas suas necessidades. Ao contrário, a pessoa deve trabalhar e lutar para atingir seu objetivo. Apenas depois de a pessoa poder dizer honestamente: "Fiz tudo aquilo que podia," lhe é permitido esperar que D'us mude as regras.
Entretanto, parece haver uma mensagem mais profunda contida na explicação do Ramban. Rabeinu Bachya ensina que: "D'us criou o mundo para funcionar de acordo com as leis naturais do universo." Quando olhamos para o mundo, nada notamos de especial à primeira vista, apenas as mesmas velhas plantas, árvores e outras entidades funcionando normalmente. Sem lhes conceder um pensamento mais demorado, o mundo parece tedioso e mundano. A ordem natural do universo não desperta uma centelha de entusiasmo dentro de nós. Apenas quando nos detemos a examinar o universo mais detalhadamente é que o mundo ganha novo significado.
O ciclo de vida do ser humano, as obras do cosmos, o relacionamento entre os animais e seu ambiente - todos mostram a beleza, as maravilhas e a magnificência da natureza. Os cientistas continuam a se maravilhar ante a precisão e a exatidão com a qual o mundo funciona.
De repente, aquelas leis que pareciam tão sem sentido há um momento, agora inspiram um senso de reverência para com as criações de D'us. Por isso, Ele deseja manter a ordem natural do mundo sempre que possível. Suspender as leis da natureza seria introduzir um elemento de caos na espetacular e sensacional harmonia do mundo existente.
Muitas pessoas se perguntam por que Ele não realiza milagres para nós hoje em dia. A resposta não se encontra em um complicado argumento filosófico, mas num simples abrir de olhos a um mundo totalmente novo, pois os milagres acontecem todos os segundos de todos os dias, bem à nossa volta.
Saiba +




19/10/2012

Porção Semanal: Parashat Noach
Genesis 6:9-11:32

D’us instrui Nôach – o único homem justo num mundo consumido pela violência e corrupção – a construir uma grande arca de madeira revestida por dentro e por fora com breu. “Um grande dilúvio”, diz D’us, “varrerá toda a vida da face da terra; porém a arca flutuará sobre a água, abrigando Nôach e sua família, além de dois membros (macho e fêmea) de cada espécie animal.”
A chuva durou 40 dias e 40 noites, e as águas agitaram-se por mais 150 dias antes de acalmarem-se e começarem a baixar. A arca pousou sobre o Monte Ararat, e de sua janela Nôach despachou um corvo, e depois uma série de pombos “para ver se as águas abaixaram da face da terra.” Quando o solo secou completamente – a exatos 365 dias do início do Dilúvio – D’us ordenou a Nôach que saisse da teivá, arca, para repovoar a terra. 
Nôach construiu um altar e ofereceu sacrifícios a D’us, que prometeu jamais destruir novamente a humanidade por causa de suas ações, e enviou o arco-íris como testemunha de Seu novo pacto com o homem. D’us também ordenou a Nôach para considerar a vida sagrada: o assassinato é considerado uma ofensa capital, e embora o homem tenha permissão de comer carne dos animais, está proibido de comer carne ou sangue tirado de um animal vivo ou causar-lhe qualquer tipo de sofrimento.
Nôach plantou uma vinha e ficou embriagado ao consumir o fruto de sua produção. Dois de seus filhos, Shem e Jafet, são abençoados por cobrir a nudez do pai, ao passo que seu terceiro filho, Ham, é amaldiçoado por tirar vantagem de sua degradação. 
Os descendentes de Nôach permaneceram um único povo, com uma só língua e cultura, durante dez gerações. Então desafiaram o Criador, construindo uma grande torre para simbolizar a própria invencibilidade; D’us confunde sua linguagem para que “um não compreenda a língua do outro,” fazendo com que abandonem seu projeto e se dispersem pela face da terra, dividindo-se em setenta nações.
A Parashá conclui com uma cronologia das dez gerações de Nôach a Abrão (mais tarde Avraham), e a jornada deste do seu local de nascimento, Ur Casdim, para Haran, a caminho da Terra de Canaã.

Mensagem da Parashá: Minimizando o Milagre
"E de todo o vivo, de toda a criatura, dois de tudo, trarás à arca..." 
Com esta instrução, Nôach é ordenado a preservar cada espécie que existia sobre a terra. Embora esta certamente pareça ser a coisa certa a ser feita, parece também ser uma tarefa impossível. Com as dimensões da arca limitadas a proporções relativamente modestas, parece altamente improvável que todos os animais encontrassem espaço na embarcação. Como, então, esperava-se que Nôach pudesse cumprir tal ordem?
Felizmente, Nôach não precisava se preocupar. Como o grande Ramban explica, as medidas da arca, embora de acordo com as leis da natureza, de maneira alguma poderiam abrigar todas as espécies existentes na terra, D'us neste caso suspendeu estas leis, de forma a preservar Sua criação. Com este milagre, cada animal tinha amplo espaço dentro da arca. 
Entretanto, imediatamente nos deparamos com outra dificuldade: como a necessidade de um milagre parece inevitável, por que D'us deu a Nôach instruções tão precisas sobre medidas e outros detalhes da arca? Por que fazer Nôach se dar tanto trabalho? Por que não permitir a Nôach que construísse uma simples jangada feita de duas pranchas de madeira?
Uma vez mais, o Ramban (Rabi Moshe ben Nachman, ou Nachmánides, 1194-1270, foi um rabino catalão, um medico e um grande conhecedor da Torá. Interessava-se pelo misticismo judeu, a cabala) fornece a solução. Embora um milagre fosse realmente necessário para o bem de todos aqueles animais aguardando para entrar na arca, o Criador desejava "minimizar" aquele milagre do modo que fosse possível. Sendo assim, Ele instruiu Nôach a construir um navio grande e sólido que pudesse ao menos suportar muitos dos animais. Apenas após a real capacidade da arca ter sido preenchida, D'us suspenderia as leis da natureza para criar amplo espaço para os animais remanescentes.
Claramente, esta explicação fornece uma lição óbvia. Como o próprio Ramban declara, o Criador não deseja que confiemos apenas em milagres. O homem não pode simplesmente sentar-se e esperar que D'us preencha todas suas necessidades. Ao contrário, a pessoa deve trabalhar e lutar para atingir seu objetivo. Apenas depois de a pessoa poder dizer honestamente: "Fiz tudo aquilo que podia," lhe é permitido esperar que D'us mude as regras.
Entretanto, parece haver uma mensagem mais profunda contida na explicação do Ramban. Rabeinu Bachya ensina que: "D'us criou o mundo para funcionar de acordo com as leis naturais do universo." Quando olhamos para o mundo, nada notamos de especial à primeira vista, apenas as mesmas velhas plantas, árvores e outras entidades funcionando normalmente. Sem lhes conceder um pensamento mais demorado, o mundo parece tedioso e mundano. A ordem natural do universo não desperta uma centelha de entusiasmo dentro de nós. Apenas quando nos detemos a examinar o universo mais detalhadamente é que o mundo ganha novo significado. 
O ciclo de vida do ser humano, as obras do cosmos, o relacionamento entre os animais e seu ambiente - todos mostram a beleza, as maravilhas e a magnificência da natureza. Os cientistas continuam a se maravilhar ante a precisão e a exatidão com a qual o mundo funciona.
De repente, aquelas leis que pareciam tão sem sentido há um momento, agora inspiram um senso de reverência para com as criações de D'us. Por isso, Ele deseja manter a ordem natural do mundo sempre que possível. Suspender as leis da natureza seria introduzir um elemento de caos na espetacular e sensacional harmonia do mundo existente.
Muitas pessoas se perguntam por que Ele não realiza milagres para nós hoje em dia. A resposta não se encontra em um complicado argumento filosófico, mas num simples abrir de olhos a um mundo totalmente novo, pois os milagres acontecem todos os segundos de todos os dias, bem à nossa volta.
Fonte: http://www.pt.chabad.org

12/10/2012
Porção semanal: Bereshit
A Parashat Bereshit, a primeira porção da Torá, talvez a mais conhecida em geral, começa com a criação do mundo por D'us em seis dias e Seu "descanso" no sétimo.
No primeiro dia Ele fez luz e trevas. No segundo dia, faz os céus, dividindo as "águas superiores" das "águas inferiores". No terceiro dia, define os limites da terra e do mar, e convida diante da terra árvores e vegetação. No quarto dia, Ele define a posição do sol, lua e estrelas como marcadores de tempo e iluminadores da terra. Peixes, aves e répteis são criados no quinto dia; bem como os animais terrestres, culminando com a criação do homem. D-us forma o corpo humano a partir do pó da terra e sopra em suas narinas uma "alma viva". Originalmente, o homem é uma única pessoa, mas decidindo que "não é bom que o homem fique sozinho," D-us tira um "lado" do homem, transforma-o em uma mulher, e conjuga-os uns aos outros. Adam (Adão) e da mulher - Chava (Eva) -  foram criados à imagem de D'us e colocados no Jardim do Éden no sexto dia. Os humanos recebem o domínio sobre o mundo inteiro com apenas uma restrição - abster-se de consumir o fruto da Árvore do Conhecimento. D-us deixa de trabalhar no sétimo dia, e santifica-o como um dia de descanso.
Chava é tentada pela serpente a servir-se do fruto proibido, e oferece-o ao marido também. D'us reage, punindo-os pela transgressão: é decretado que o homem terá uma existência finita, retornando ao solo de onde fora formado, e que todos os ganhos virão somente através de luta e sofrimento. Além disso, são banidos do paraíso do Eden.
Após a expulsão, seus dois primeiros filhos, Cain (Caim) e Hevel (Abel) trazem cada um uma oferenda para o Criador. A oferenda superior de Hevel é aceita por D'us, enquanto que a de Cain, inferior, é rejeitada. Cain invejosamente reage, matando seu irmão, e D'us o envia ao exílio, condenando-o a vagar pela face da terra. A Torá, então, fornece uma genealogia das primeiras dez gerações do mundo, começando com Adam, seu terceiro filho Shet, e chegando até o nascimento de Nôach (Noé) e seus três filhos.
Desgostoso com a perversidade do homem, a porção se encerra com D'us expressando Sua decisão de destruir todos os seres viventes, com exceção do justo Nôach e sua família.

Mensagem da Parashá: O poder das palavras
Está escrito: "Para sempre, ó D'us, Tuas palavras ficam nos céus."
Rabi Israel Báal Shem Tov, de abençoada memória, explica este versículo assim: "Teu mundo", que Tu pronunciaste "Que haja um firmamento", estas mesmas palavras e letras ficarão para sempre no firmamento dos céus e estão para sempre revestidas nos céus, para dar-lhes vida e existência. Também está escrito: "A palavra de nosso D'us ficará firme para sempre" e "Suas palavras vivem e ficam firmes para sempre." Pois se estas letras tivessem de partir, mesmo por um instante, e voltassem à sua origem, todos os céus se tornariam nada, e seria como se não tivessem de todo existido, exatamente como antes do pronunciamento "Que haja um firmamento."
E assim é com todas as coisas criadas, até a mais corpórea e inanimada das substâncias. Se as letras dos "dez pronunciamentos", pelos quais o mundo foi criado durante os seis dias da Criação, se separassem dele, mesmo que por um só instante, eles se reverteriam para a mais absoluta nulidade.
O mesmo pensamento foi expresso por Ari, de abençoada memória, quando disse que mesmo em matérias completamente inanimadas, como terra, pedras e água, há uma alma e uma força vital espiritual - ou seja, as letras das "palavras Divinas” continuamente lhes garantem vida e existência.

5/10/2012
Simchat Tora
A parashá desta semana fecha um ciclo de leitura da Tora: justamente por isto se comemora a festa de Simchat Tora – a alegria da Tora!
União e igualdade de direitos são temas-chave de Shemini Atsêret e Simchat Torá, datas nas quais nos alegramos com a Torá. 
A melhor maneira de celebrar Simchat Torá seria dedicar os dois dias à leitura da Torá -mas é justamente o contrário que ocorre. Todos os judeus pegam a Torá fechada e dançam com ela nos braços. O ato encerra uma grande lição: se os festejos fossem realizados com a Torá aberta, com sua leitura, haveria distinções entre um judeu e outro, pois a compreensão e o conhecimento de cada um são diferentes. Com a Torá fechada, mostramos a união e a igualdade de todos os judeus, unidos pela mesma alegria. O texto não é lido, mas todos sabem que é algo precioso e, por isso, dançam juntos e em total alegria.

Porção Semanal: Vezot Haberachá                            
Vezot Haberachá (Devarim 33:1 - 34:12), lida na festa de Simchat Torá, descreve as últimas palavras de Moshê ao povo judeu. Após elogiar toda a nação por acolher a Torá, ele concede bênçãos específicas proféticas para cada uma das tribos, de acordo com suas responsabilidades nacionais e grandeza individual, e então abençoa a nação como um todo.
A Torá conclui com a morte de Moshê no Monte Nebo e com um tributo à sua grandeza e nível ímpar de profecia, o mais elevado, jamais atingido por um ser humano.

Mensagem da Parashá: Muitas e muitas vezes
Agora que chegamos ao final do livro de Devarim, é hora de olharmos em retrospecto e refletir sobre o que estamos a ponto de completar. Os rabinos referem-se a este livro como Mishnê Torá, uma explicação e revisão da Torá, pois Devarim inclui muitas mitsvot que já foram ensinadas anteriormente em outros livros da Torá. Poderíamos pensar: por que foi necessário revisar tantas coisas muitas e muitas vezes?
Rabi Samson Raphael Hirsch explica que a narrativa em Devarim ocorreu ao final da permanência de quarenta anos do povo judeu no deserto. Eles haviam testemunhado muitos milagres às claras enquanto D'us lhes fornecia tudo que era necessário: jamais tiveram de trabalhar a terra para produzir alimentos; D'us fornecia o maná diariamente. O poço de Miriam jorrava água o tempo todo, e as Nuvens de Glória os protegiam dia e noite. Às margens do Rio Jordão, o povo judeu esperava para entrar na terra de Israel onde não receberiam mais milagres tão óbvios. Não haveria mais o maná – teriam de plantar, arar, colher e cultivar a terra para se sustentar. O poço e as nuvens também se foram – a vida agora seria governada pela realidade. 
Um estudante, que tem um exame sobre tudo aquilo que estudou no decorrer do ano, deve revisar aquilo que aprendeu. Da mesma forma, o povo judeu passou anos no deserto estudando a Torá e desenvolvendo um relacionamento próximo com D'us. Ao se prepararem para entrar na terra de Israel e quando os milagres do deserto tivessem cessado, era necessário revisar, para ficarem de prontidão e passar com sucesso pelos variados desafios desse novo estágio em sua vida. 
Ao completar o Tratado do Talmud, muitas vezes o primeiro passo é desenvolver um sistema de revisão. Agora que embarcamos em um novo ano e começamos novamente nosso ciclo pela Torá, não podemos nos esquecer daquilo que aprendemos no passado.

28/set/2012
Porção Semanal: Haazinu  
Devarim 32:1 - 52
      
Haazínu compreende basicamente a "canção" de Moshê - escrita sob a forma de música - sobre as horríveis tragédias e suprema alegria que constituirá a futura história do povo judeu. Ela expressa o reconhecimento de cada aspecto da Criação e tudo aquilo que D’us faz – passado, presente e futuro -– de alguma forma se integra em perfeita harmonia, embora, com nosso limitado entendimento humano, nem sempre a reconheçamos como tal.
Moshê clama aos céus e à terra para que sejam testemunhas de que, se o povo judeu pecar e mostrar ingratidão para com D’us pelos muitos favores maravilhosos que nos concedeu, seremos punidos, ao passo que se permanecermos fiel à Torá e a D’us, receberemos as maiores bênçãos. Mesmo que o povo judeu se disperse, D’us garante nossa sobrevivência e redenção ao final. 
Esta Porção conclui com D’us ordenando a Moshê que suba ao Monte Nebo, de onde terá uma vista da Terra de Israel e então morrerá.
       
Mensagem da Parashá:   Orquestra

Assim como todas as notas num acorde e todas as vozes e instrumentos de uma orquestra se combinam para formar um som único, toda a criação canta em harmonia para proclamar a unidade de D’us. A parasha Haazinu é escrita em forma de música para lembrar o Povo Judeu de que toda a criação ressoa em harmonia com suas ações, seja para o bem ou para o mal.



21/09/2012
Porção Semanal: Vayêlech        
Devarim 31:1-30         
                   
A Parashat Vayêlech inicia-se com Moshê caminhando pelo acampamento do povo judeu no último dia de sua vida, para despedir-se de seu amado povo. Em seguida, Moshê ensina-lhes a mitsvá de hakhel, a reunião da nação inteira a cada sete anos para ouvir o rei ler certas passagens da Torá, e D'us dirige-se a Moshê e Yehoshua (que receberá o manto da liderança) na Tenda da Assinação, ordenando-lhes copiar a Torá e continuar ensinando-a ao povo judeu.
A porção conclui com a preocupação de Moshê de que o povo judeu possa desviar-se da Torá após sua morte, acarretando-lhes punições.

Mensagem da Parashá
Um dos temas principais em Yom Kipur é teshuvá, arrependimento. Como é explicado no místico Zohar, uma das muitas "atribuições" do Rei Mashiach é que ele trará até os justos (tsadikim) ao arrependimento. Na superfície, isso parece contraditório. Se eles são realmente tsadikim, por que precisariam se arrepender? E se eles realmente têm algo de que se arrepender, como podem ser chamados de justos?
A filosofia chassídica resolve este problema explicando que quando Mashiach vier, os justos não terão de expiar quaisquer pecados. Ao contrário, ao fazer teshuvá (literalmente, retornar a D’us), ele combinarão simultaneamente a vantagem da pessoa justa que nunca pecou com a vantagem de alguém que retorna em penitência. Como assim? Um tsadic vive sua vida exatamente como D’us deseja que ele o faça, observando a Torá e mitsvot sem jamais cometer qualquer transgressão. Sua vida inteira é passada no âmbito da santidade e pureza. Um báal teshuvá (penitente), em contraste, tem a vantagem de poder realmente transformar a escuridão em luz. Exatamente porque ele se afastou tanto, seu desejo de apegar-se a D’us é ainda maior que o do tsadic. Seu amor por D’us é tão intenso que até seus pecados deliberados são transformados em méritos.
Quando Mashiach vier, o justo fará teshuvá no sentido de ascender a níveis ainda mais altos de conexão com D’us. Quando toda a humanidade, incluindo os tsadikim, testemunhar a infinita santidade da Era Messiânica, até os níveis espirituais mais elevados que já foram atingidos parecerão ser nada, e serão alçados a alturas nunca vistas, com a energia e vigor dos baalei teshuvá. Isso, evidentemente, será realizado por Mashiach, que abrirá os olhos do mundo inteiro à subjacente realidade Divina da existência.
Que possa ocorrer em breve.






14/09/2012
Porção Semanal: Nitsavim     
Devarim 29:9-30:20                              
        
Nitzavim inicia-se com Moshê reunindo todos os membros do povo judeu pela última vez em sua vida, para iniciá-los na eterna aliança com D'us.
Moshê os adverte a não serem tentados pelos atos maus dos idólatras que vivem ao redor deles, e a evitarem racionalizar a conduta imprópria dizendo que D'us os perdoará, pois manter tal crença é a suprema fonte de nossa destruição e exílio. Embora irá cometer pecados, o povo judeu ao final se arrependerá e retornará para a Torá, e D'us introduzirá a Era Messiânica, quando todos retornaremos à terra de Israel e as muitas bênçãos maravilhosas da Torá serão cumpridas. Moshê diz ao povo para não temer serem incapazes de corresponder às expectativas da Torá, assegurando-lhes que as mitsvot não são distantes ou inacessíveis; uma vida de Torá está ao alcance de qualquer pessoa.
A porção termina com uma exortação para escolher a Torá e vida, acima da sinistra alternativa do mal e morte.
                            
Mensagem da Parashá :  Responsabilidade da Alma
Com precisão profética, a Parashat Nitsavim continua a detalhar as provações que se abaterão sobre a nação judia no decorrer de sua história. A devastação do país, o preocupante número de infortúnios, e a ira do Todo Poderoso deixarão as nações do mundo assombradas; que mal o povo judeu pode ter praticado para merecer destino tão trágico? (Devarim 29:23). Mesmo assim, miraculosamente, o povo judeu sobreviverá. Oprimida pelo sofrimento, a nação judaica examinará seu passado e verá como tem sido beneficiada com uma enorme quantidade de benesses Divinas. Esta reflexão será o início de um retorno total aos valores da Torá, e ao fortalecimento do vínculo existente entre o povo judeu e D'us.
Ramban (Rabi Moshe ben Nachman ou Nachmánides,1194-1270), foi um rabino catalão, um médico e um grande conhecedor da Torá. Interessava-se pelo misticismo judeu, a cabala. Segundo ele, a Torá garante explicitamente a capacidade de nos rejuvenescermos através de sincero arrependimento na porção desta semana. A Torá nos ensina: "Pois este mandamento do qual os encarrego hoje – não está oculto de vocês e não está distante. Não é nos céus que deveriam perguntar quem subirá e o procurará por vocês… Ao contrário, está na verdade muito perto de vocês – em sua boca e em seu coração – cumpri-lo". Teshuvá é, de fato, uma responsabilidade muito humana, que requer participação tanto do coração quanto da boca.
Os rabis do Talmud entenderam que os versículos em nossa porção da Torá têm grandes ramificações haláchicas: a Torá está agora sob propriedade exclusiva dos sábios de Israel e sua sabedoria coletiva. Como podemos justificar esta posição à luz da leitura de Ramban que é, de fato, a mais simples tradução dos versículos? O que tem a ver o fato de que a Torá seja propriedade do povo judeu, como cita o Talmud, com nossa capacidade de arrependimento, como Ramban os interpreta?

Há duas motivações básicas que inspiram um indivíduo a se arrepender. A mais óbvia é o temor de aceitar as consequências do pecado. A Torá está repleta de referências às horríveis tragédias que se abaterão sobre o povo judeu, se este ficar impassível e afastar-se de D'us. Este tipo de teshuvá é mais um ato de "salvar a própria pele" que uma tentativa de corrigir um ato falho. Há, entretanto, um ímpeto mais profundo, que jaz no âmago da alma judaica, e é onde está o verdadeiro poder da teshuvá.
Como podemos explicar o dito talmúdico que a Torá não está mais nos céus? Como é possível que argumentemos com a palavra do próprio Todo Poderoso e sejamos corretos em nossa aplicação da halachá?
Pode existir apenas uma solução: o povo judeu não é composto de simples servos de D'us; somos parceiros com total responsabilidade de preservar e determinar as aplicações dos eternos princípios da Torá. Como ocorre com qualquer sociedade, deve haver um denominador comum a nos conectar, formando a base do relacionamento. A alma de um judeu é mencionada nas fontes cabalísticas como tendo uma centelha do Divino. Existe dentro de nós um fragmento de eternidade. É este fogo sagrado que dá poder ao judeu, inspira seu desejo de controlar seu ambiente e o impele em direção ao maior sucesso que a vida pode oferecer. Esta mesma alma nos possibilita "imitar" as qualidades Divinas de D'us e nos torna depositários apropriados das verdades absolutas da Torá.
Estar autorizado a estabelecer a política, interpretar a Torá e aplicá-la segundo os métodos prescritos que foram transmitidos a Moshê, atestam a natureza elevada do povo judeu. Somos criaturas Divinas e temos o poder de moldar a realidade conforme nossa sabedoria coletiva. Além disso, se D'us nos confiou Sua Torá, Seu presente mais precioso, é uma prova do poderoso amor que Ele sente por nós. A pessoa não confia a um servo, não importa quão leal seja este, seu bem de maior valor. Apenas a um filho ou amigo querido a pessoa deseja legar o objeto de sua paixão.
Entendido neste nível, o pecado é não apenas hediondo por causa de sua afronta ao Criador, como também igualmente prejudicial para nós em nível pessoal. Certamente o fumante inveterado, que está sofrendo com câncer do pulmão, deve sentir uma pontinha de arrependimento pelos anos de prejuízo auto-infligido. Muito mais remorso deveria sentir o pecador quando reflete sobre o enorme dano que seus pecados causaram.
Isso deveria fazer alguém refletir: "Como pude eu, uma centelha do Divino, agir de maneira tão desonrosa fazendo isso e aquilo? Devo a mim mesmo ser uma pessoa melhor, corresponder ao papel que D'us criou para mim; ser Seu querido parceiro na maior história de todos os tempos, a história de minha vida e a história do povo judeu!"
Que seja a vontade de D'us que este ano nos vejamos sob uma luz diferente. Em vez de nos aproximarmos dos Dias Festivos com sentimentos de ansiedade, pensemos sobre o que realmente somos e como devemos aperfeiçoar a nós mesmos. Afinal, que tipo de história nossa vida refletiria se nada mais for que uma reprise?

7/09/2012 
Porção Semanal: Ki Tavó      
Devarim 26:1 - 29:8

Inicia descrevendo a mitsvá anual aos fazendeiros de Israel para que trouxessem seus bicurim, os primeiros frutos, ao cohen no Templo, quando então o fazendeiro reconhece o importante papel de D’us na provisão de seu sustento.
            Após novamente exortar o povo judeu a permanecer fiel a D’us, que os elegeu especificamente como Seu povo escolhido dentre todas as nações do mundo, Moshê ensina duas mitsvot especiais que eles deverão cumprir ao entrar na Terra de Israel para reafirmar seu compromisso com a Torá. Primeiro deverão escrever toda a Torá em doze grandes pedras e, então, deverão recitar bênçãos e maldições no vale entre Monte Gerizim e Monte Eival, as quais se aplicarão respectivamente aqueles que cumprem e aqueles que afrontam a Torá. Seguindo-se uma recontagem das maravilhosas bênçãos que D’us concederá ao povo judeu por permanecer fiel, Moshê faz uma assustadora profecia do que se abaterá sobre o povo judeu por não cumprir a Torá. Conhecido como admoestação, Moshê descreve com detalhes a horrível destruição que, infelizmente, acontecerá quando nos desviarmos das mitsvot.
            A Porção da Torá conclui quando Moshê contempla em retrospecto os maravilhosos milagres que D’us realizou pelos quarenta anos anteriores, lembrando o povo da enorme dívida de gratidão que tem com D’us por Seu carinhoso amor.

Mensagem da Parashá: Tudo no coração
Todos conhecem o sentimento de "minha mente está em outro lugar". Algumas coisas que consideramos mais importantes – seja pagar a conta de luz ou tirar umas merecidas férias – tendem a desviar nossa atenção do equilíbrio da bandeja quando a derrubamos, quebrando copos, por exemplo, ou seja lá o que estivermos fazendo. Em vez disso, as pessoas podem passar a maior parte do dia realizando tarefas necessárias que não são de primordial importância, como fica evidente quando devaneiam sobre outros assuntos.
Da mesma forma, muitos judeus passam longas horas no trabalho, mas esta alocação de tempo dos profissionais judeus não reflete o que deveria ser sua suprema aspiração na vida, a aspiração que expressamos duas vezes ao dia quando lemos o Shemá: "Amarás D’us com todo teu coração." Apesar de todo o tempo que passamos realizando atividades aparentemente mundanas, o coração de um judeu, na verdade, anseia por crescer em Torá e construir um relacionamento com seu Criador.
Rabi Moshê Feinstein destaca este conceito em uma declaração intrigante que Moshê faz ao povo judeu na porção desta semana da Torá: "Vocês viram tudo que D’us fez perante seus olhos na terra do Egito… As grandes provas que seus olhos viram, aqueles sinais, e grandes maravilhas. Porém, o Eterno não lhes deu um coração para conhecer as bondades de D’us, e olhos para ver, e ouvidos para ouvir, até os dias de hoje" (Devarim 29:1-3).
            Os judeus reclamaram em dez ocasiões diferentes sobre as condições inóspitas do deserto no qual D’us os colocara, mas jamais reconheceram todos os grandes milagres que D’us realizou para eles no Egito e no deserto, durante os quarenta anos. D’us provou constantemente Sua dedicação aos Filhos de Israel, mas eles sempre responderam com rebelião e dissensão. Finalmente, naquele dia, ao final de sua jornada pelo deserto, Moshê percebeu que os judeus eram definitivamente dedicados a D’us.
            Um acontecimento em particular alterou a opinião de Moshê sobre o povo judeu. No final de sua vida, Moshê copiou toda a Torá e tentou dar o rolo à família de Levi; eles, mais que qualquer outra tribo, deviam dedicar a vida a estudar e ensinar o precioso livro de D’us ao povo judeu. Rashi (Rabi Shlomo Yitzhaki, 22 de fevereiro de 1040 – 13 de julho de 1105, França, famoso como autor dos primeiros comentários compreensivos sobre o Talmud, Torá e Tanach) relata que o restante do povo judeu reuniu-se e disse a Moshê que eles também tinham estado presentes no Monte Sinai quando D’us outorgou a Torá. Eles afirmaram que presentear este rolo especial da Torá aos Levitas poderia algum dia fazê-los dizer que a Torá fora dada exclusivamente a eles.
Rabi Moshê Feinstein explica que, na verdade, a família de Levi jamais faria reivindicação tão audaciosa: é claro que a Torá completa, mesmo as leis especificamente aplicadas aos levitas, fora dada a todo o povo judeu. Ao contrário, as outras tribos suspeitaram de algo mais sutil. Os não-levitas, que deviam passar longas horas no trabalho para ganhar o sustento, temiam que os levitas, que tinham a oportunidade de passar o dia inteiro mergulhados na Torá, exigissem exclusividade nas áreas de ensinamento da Torá e na resolução de complicados problemas da Lei Judaica. Os não-levitas desejavam assegurar um lugar para si mesmos entre os especialistas em Torá.
Ao exigir um papel ativo na perpetuação da Torá, o povo judeu mostrou o enfoque em seu coração, e reassegurou a Moshê que tinha as corretas prioridades. Ter uma renda é certamente uma necessidade, mas não importa quanto esforço devotem a outras atividades, os judeus devem lembrar-se que a Torá e o relacionamento com D’us permanecem sendo nossos verdadeiros objetivos de vida.
31/09/2012
Porção Semanal: Ki Tetsê
Devarim 21:10 - 25:19

Ki Tetsê começa discutindo o caso de uma mulher quando capturada por um soldado judeu durante uma batalha. Pelo resto da Porção, a Torá continua com uma lista de várias mitsvot cobrindo vasta gama de tópicos. Relata, então, os direitos especiais de herança do primogênito, o caso do filho teimoso, a importância de se respeitar a propriedade de outras pessoas, a obrigação de enxotar a ave mãe do ninho antes de pegar seus filhotes, e que não se deve vestir shatnez (mescla de lã e linho) na mesma peça de roupa.
O caso da difamação da mulher casada é então discutido, seguido pela proibição de adultério e outros casamentos proibidos, bem como a ordem de manter o acampamento do exército como local santificado. Após mencionar brevemente o divórcio e o requerimento de um guet (carta de divórcio), a Torá discute o sequestro, a mitsvá de pagar os trabalhadores no tempo apropriado, e o conceito da responsabilidade do indivíduo por suas próprias ações.
            A Torá passa a descrever a consideração especial que deve ser dada a um órfão e a uma viúva, o casamento levirato e a mitsvá de ser honesto nos negócios. Esta Porção da Torá conclui com uma exortação para recordar as atrocidades que a nação de Amalek cometeu contra nós após o Êxodo.

Mensagem da Parashá: Prisioneiro de guerra
            À primeira vista, a seção registrada no início da porção desta semana da Torá a respeito de eshet y'fat to'ar parece inteiramente fora de caráter com a mensagem geral da Torá. Durante todos os cinco livros de Moshê, lemos sobre as leis enfatizando a restrição e auto-disciplina, responsabilidade e controle. Mesmo assim, na porção desta semana da Torá, descobrimos o caso de eshet y'fat to'ar, quando um soldado, em tempo de guerra, tem permissão de abandonar aqueles ideais elevados e render-se a seus desejos.
            Que mensagem a Torá está tentando transmitir, quando aparentemente permite que soldados judeus apoderem-se de mulheres cativas à vontade, sem dar importância alguma ao auto-controle?
Antes que façamos um julgamento apressado, devemos primeiro examinar mais cuidadosamente os versículos que relacionam a atitude prescrita, pois o consentimento da Torá a esse encontro com uma mulher prisioneira não representa nem metade da história.
Em Devarim 21:12, aprendemos que, logo após seu encontro inicial, a mulher deve raspar sua cabeça e deixar crescer as unhas, certamente uma visão nada atraente. O versículo 13 explica, ainda, que ela deve chorar incessantemente por seus pais mortos, durante trinta dias, tudo isso à vista de seu captor. Apenas após este mês de luto eles poderão iniciar um relacionamento normal como marido e mulher. Certamente após esta exibição, quase qualquer homem se tornaria rapidamente desinteressado pela mulher que, apenas pouco tempo atrás, tanto estimulara seu interesse.
            Na verdade, a Torá, esperando tal reação, prescreve a ação correta que fará com que o homem não mais deseje esta mulher como esposa. Obviamente, a aparente sanção da Torá a tal comportamento não é bem precisa; claramente, existe aqui uma mensagem mais profunda. Consideremos por um momento a provação do soldado em tempo de guerra. Afastado da esposa e da família por meses intermináveis, está sujeito às duras condições do brutal confronto. Se isso não fosse suficiente, deve ainda suportar as tentações da mulher não-judia que passou a desfilar em frente aos soldados da forma mais sedutora possível, a fim de distrair sua atenção da batalha - de fato, por este motivo a Torá exige que a mulher "raptada" troque suas roupas de guerra antes de entrar na casa do soldado. O soldado judeu nesta situação poderá se ver incapaz de controlar suas emoções e, consequentemente, ficar seduzido pelas armadilhas desta mulher.
            O que deve acontecer com este soldado – ser condenado à danação eterna pelo seu crime? O Judaísmo diz que não. D'us criou o homem como um ser físico num mundo físico, com desejos físicos. É claro que a missão do homem nesta terra é superar sua má inclinação, que o leva a agir segundo estes desejos. Entretanto, não se pode esperar que a pessoa domine suas emoções do dia para a noite. É uma batalha para a vida toda. Dessa maneira, a Torá aceita que a pessoa possa se ver incapaz de resistir aos apelos do pecado. Apesar disso, não deve se permitir permanecer neste estado de depravação. Embora tenha falhado desta vez, deve tomar as precauções para ter sucesso na próxima. Dessa maneira, o soldado deve raspar a cabeça da mulher, permitir que suas unhas cresçam, abster-se de ter relações com ela, fazer tudo para tornar a mulher desprezível. Afortunadamente, quando trinta dias se passarem, seu desejo pela mulher também terá passado.
            Embora muitos de nós jamais tenhamos nos defrontado com estas mesmas circunstâncias que o soldado judeu descrito na porção desta semana da Torá, mesmo assim temos que suportar nossa própria cota de tentações. Não se espera que a pessoa consiga derrotar seus desejos todas as vezes. O Rei Salomão declarou isso há muito tempo, quando disse: "Não existe homem que seja tão correto na terra que sempre faça o bem e jamais peque" (Cohêlet 7:20).
            Todos, em alguma ocasião, sucumbem por seus desejos. A verdadeira questão é: O que acontece depois? A pessoa se renderá às suas fraquezas, resignando-se à noção de que o homem não tem esperança em sua guerra contra a má inclinação e que tudo está perdido? Ou se reerguerá com nova determinação, acreditando que, embora possa ter perdido a batalha, ainda pode vencer a guerra?
            Aprenderá realmente com seus erros, e tomará as devidas precauções para assegurar futuras vitórias?
            A maneira pela qual alguém responde estas perguntas determina se ele se permitirá ser refém de suas emoções, ou se será capaz de se libertar das amarras da má inclinação. Com o mandamento de eshet y'fat to'ar, a Torá nos forneceu uma receita para tratar eficazmente a síndrome de pós-pecado. 
Agora, cabe a nós tomar corretamente o remédio.
24/09/2012
Porção Semanal: Shofetim  
Devarim 16:18-21:9      

Shofetim trata primeiramente dos mandamentos a respeito da criação de um sistema de liderança na Terra de Israel, a designação de cortes, juizes e oficiais em cada cidade. Após esboçar o processo de julgar um idólatra, a Torá ensina que a pena de morte deve ser imposta a qualquer erudito que pronunciar uma decisão contra o Grande Sanhedrin (Suprema Corte de 71 juizes) em Jerusalém, não importa o quanto sejam notáveis os eruditos envolvidos na disputa.
O povo judeu recebe ordens de requisitar um rei assim que estiver instalado em Israel. São relacionados alguns dos presentes especiais que devem ser dados aos cohanim, sacerdotes.
Após descrever a natureza da profecia, a Torá repete as leis do Ir Hamiklat, cidade de refúgio para assassinos acidentais, e descreve o caso judiciário especial de Edim Zomemim, testemunhas conspiratórias.
            A Torá então fala de vários aspectos da conduta da nação durante a guerra, dizendo-lhes para não temer os inimigos, e relacionando aquelas pessoas que estão isentas do serviço militar. Deve-se primeiro dar ao inimigo a oportunidade de paz, e o povo judeu deve ser cuidadoso para não destruir nenhuma árvore frutífera durante a batalha.
            A porção da Torá conclui com o caso do assassinato não resolvido e com o ritual da eglá arufá, a novilha decapitada, que serve como expiação para o povo das cidades vizinhas por não terem impedido o assassinato.
       
Mensagem da Parashá
A raposa e o peixe

Um estudo demográfico das cidades de refúgio descritas na porção desta semana da Torá revela um elemento surpreendente na população. Poder-se-ía presumir que as cidades compreendiam somente os levitas que lá tinham residência permanente e alguns indivíduos que mataram acidentalmente e buscavam proteção de seus perseguidores. Entretanto, há um outro grupo – os rabinos. O Talmud (Tratado Makot) explica que qualquer indivíduo que fugisse para a cidade de refúgio deveria levar consigo seu rabino (não seu advogado, contador, ou médico). Analisando esta lei, podemos fazer uma avaliação mais profunda da primazia da Torá na vida de uma pessoa.
Esta obrigação brota de um versículo: "Ele [o assassino acidental] deve fugir para uma das cidades e viver" (Devarim 19:4).
            Somente o sustento físico não permite que o assassino "viva". Apenas quando é completado com sustento espiritual (i.e., seu rabino) pode viver realmente.
Uma história contada no Talmud sobre Rabi Akiva cristaliza a importância da Torá. Rabi Akiva viveu durante o período dos perseguidores romanos, que proibiam o estudo de Torá. Apesar da proibição, Rabi Akiva continuou seus estudos e foi capturado e sentenciado à morte pelos romanos. Quando inquirido por seus alunos por que assumira tal risco, contou-lhes a história da raposa e do peixe.

Uma astuta raposa fez uma maravilhosa proposta ao peixe: "Venha para a terra, e ficará a salvo da rede do pescador!" O precavido peixe respondeu: "Vivendo na água, existe uma possibilidade de que eu possa viver, evitando a rede do pescador. Entretanto, na terra certamente morrerei."
            Sem as águas potentes da Torá, nós também não podemos sobreviver. Ao aproximarmo-nos de Rosh Hashaná, façamos um compromisso de imergirmos no mar da Torá, da espiritualidade, e que sejamos abençoados por suas águas vivas a cada dia.
17 de agosto de 2012
Porção Semanal: Reê      
Devarim 11:26 - 16:17          
Moshê começa a colocar as mitsvot em perspectiva, sem ambigüidade, declarando que o povo judeu será abençoado se não o fizer. Ele começa então uma longa revisão de várias mitsvot, compreendendo a maior parte do livro Devarim. Primeiro discute alguns dos mandamentos que são relevantes à iminente conquista da Terra de Israel pelo povo, conclamando-os novamente a remover qualquer vestígio de idolatria. Após ensinar-lhes certos detalhes sobre a oferenda e o consumo de corbanot, sacrifícios, a Torá ordena que o povo judeu se abstenha de imitar as nações que os circundam. A eles é dito que permaneçam atentos aos falsos profetas e outras pessoas que poderiam afastá-los de D’us, e aprendem as leis de uma cidade judaica que tornou-se tão corrupta que a maioria de seus cidadãos sucumbiu à idolatria, recebendo por isso a pena de morte. 

A Torá faz uma revisão sobre quais animais são casher, permitidos para consumo, e quais não o são, seguida pelas leis de ma’aser sheni – o segundo "dízimo", que é consumido por seus proprietários, mas apenas na cidade de Jerusalém.
Após ordenar que todas as dívidas sejam canceladas ao final de cada sétimo ano (Shemitah), e que devemos ser calorosos e caridosos com nossos irmãos, a Torá repete as leis relativas ao servo judeu. Ele deve ser libertado incondicionalmente no sétimo ano e coberto de presentes generosos por seu antigo amo.
A Parashat Reê conclui com uma breve descrição das três festas de peregrinação – Pêssach, Shavuot e Sucot – quando todos deveriam ir a Jerusalém e ao Templo com oferendas, para celebrar sua prosperidade

Mensagem da Parashá:  Importância individual
A porção desta semana da Torá começa com a dramática exortação de D'us: "Vejam, hoje apresento perante vós uma bênção e uma maldição" (Devarim 11:26). 

Os sábios nos informam que, dependendo de nossa observância, a Torá e suas mitsvot nos fornecerão uma bênção ou uma maldição. Entretanto, se alguém examinar o conteúdo gramatical desta declaração, perceberá uma perfeita contradição nos tempos do verbo usado em cada versículo. Primeiro, no singular, D'us ensina cada indivíduo 're'ê – veja". Depois, o versículo descreve a bênção e a maldição como sendo proferidas perante uma audiência plural: "perante vós", referindo-se à toda a nação judaica. Diversas explicações foram desenvolvidas por nossos eminentes sábios para solucionar esta diferenciação das mais singulares.
Rabi Moshê Alshich sugere que esta contradição revela a natureza da missão de D'us para o povo judeu em nosso infeliz mundo corrupto. Um monarca comum, quando designa um empreendimento gigantesco à nação, não se preocuparia com o progresso de cada indivíduo, desde que a obra fosse completada ao final do prazo. Entretanto, isso não se aplica à missão designada pelo Rei dos reis à sua sagrada nação. Todo e cada indivíduo tem total responsabilidade de cumprir tudo que está incluído nos limites da Torá. Por esta razão, o versículo usa os tempos contraditórios, para informar-nos que embora a Torá tenha sido outorgada à nação como um todo, cada judeu deve esforçar-se para cumprir os deveres a ele impostos por D'us.
Uma segunda explicação sobre a dicotomia deste versículo explora o conceito de que cada judeu é responsável pela observância de seu próximo da Torá. Como conseqüência direta deste conceito, podemos ser punidos ou recompensados pelas ações de nossos amigos. Portanto, o versículo usa o singular e o plural para ensinar-nos que, ao colocar a responsabilidade de guardar a Torá sobre cada indivíduo, D'us está também impondo sobre nós a responsabilidade de conferir se nossa família e nossos amigos também cumprem Suas sagradas leis.
Como resultado destas nuances perspicazes de uma simples contradição textual, podemos deduzir que devemos constantemente lembrar que a responsabilidade da Torá cabe a cada um de nós. Além disso, devemos também estar constantemente preocupados com o bem-estar e o crescimento da observância de nossos irmãos.


10/07/2012

Porção Semanal: Êkev
Devarim 7:12 - 11:25        
                         
Êkev começa com Moshê encorajando os filhos de Israel a confiar em D’us e nas maravilhosas recompensas que Ele lhes dará se guardarem a Torá. Moshê assegura-lhes que derrotarão com êxito as nações de Canaã, quando deverão remover todo e qualquer vestígio de idolatria remanescente na Terra Santa.
Moshê os lembra sobre o miraculoso maná e as outras maravilhas com que D’us os cumulou pelos quarenta anos passados, e ele adverte o povo judeu para estar consciente das armadilhas de sua futura prosperidade e orgulho das façanhas militares, o que pode fazê-los esquecer D’us. Ele os relembra ainda de suas transgressões no deserto, recontando toda a história do bezerro de ouro, e descrevendo a abundante misericórdia de D’us.
Moshê enfatiza que a geração do deserto tinha uma responsabilidade especial de permanecer leal às mitsvot, preceitos da Torá, por causa dos muitos milagres que vivenciaram pessoalmente. Após detalhar as numerosas virtudes da Terra Prometida, Moshê ensina ao povo o segundo parágrafo do Shemá, que enfatiza a doutrina fundamental de recompensa e punição, baseada em nosso cumprimento das mitsvot.
Esta Porção da Torá conclui com a promessa de D’us, uma vez mais, de que Ele protegerá o povo judeu se eles cumprirem as Leis da Torá.
                      
Mensagem da Parashá: De pernas para o ar

O nome da porção desta semana da Torá, Êkev, literalmente significa "calcanhar." Uma tradução simples do versículo introdutório seria: "E será nos calcanhares de seu cumprimento dos mandamentos… que D'us cumprirá Sua aliança e Sua bondade que Ele prometeu aos seus antepassados."
Rashi (o Rabi Shlomo Yitzhaki (22 de fevereiro de 1040 – 13 de julho de 1105), foi um rabino da França, famoso como o autor dos primeiros comentários compreensivos sobre o Talmud, Torá e Tanach) cita um Midrash (maneira de interpretar histórias bíblicas que vai além de simples destilação de ensinamento religioso, legal ou moral, preenchendo muitas lacunas deixadas na narrativa bíblica sobre eventos e personalidades que são apenas insinuados) que oferece uma leitura alternativa do versículo: declara que se você for cuidadoso em observar os mandamentos que as pessoas normalmente esmagam sob os calcanhares, então o Todo Poderoso cumprirá Suas promessas a você.
À primeira vista, a pessoa poderia dizer instintivamente que o Midrash significa que se você for tão cuidadoso em cumprir até mesmo as minúcias da Torá, então as recompensas ilimitadas de D'us serão suas. Entretanto, um escrutínio mais cuidadoso revela o que isso quer dizer: A recompensa vem por cumprir as "menores" mitsvot e por não fazer distinção entre elas e aquelas consideradas mais "sérias". Isso levanta várias dificuldades. Por que não deveríamos distinguir entre elas? É justo determinar que a recompensa vem por realizar as "menores" mitsvot da mesma forma que ocorre com o cumprimento das mais 'sérias"? Além disso, qual é a definição de uma mitsvá que alguém "esmagaria sob o calcanhar"? Finalmente, por que nossos sábios selecionam o calcanhar como oposto a nomear todo o pé como o culpado que tão impiedosamente pisoteia a palavra de D'us?
De volta ao Jardim do Éden, o homem falhou no maior teste de todos os tempos. O problema de comer da Árvore do Conhecimento não foi meramente uma questão do homem procurando o alimento mais exótico para agradar suas papilas gustativas. Foi sobre a própria existência, e sobre quem comanda o espetáculo.
D'us, em Sua infinita sabedoria, sabia que era melhor para o homem não receber parte da árvore naquela ocasião. Mesmo assim o Homem acreditou que sabia mais; ele determinou que era ele quem controlava seu destino e que era capaz de fazer tudo certo. Talvez para expressar isso em um nível mais profundo: O homem pensou que merecia existir, que tinha o direito de ser, e que estava devidamente habilitado a exercitar seu direito, tornando-se o único senhor de seu destino. Após sua queda, quando ele, sua mulher e a serpente foram amaldiçoados, D'us declarou que haveria inimizade entre a serpente e a raça humana; "a cobra morderá seu calcanhar e ele esmagará sua cabeça" (Bereshit 3:15).
O outrora grandioso e potencialmente eterno homem torna-se agora uma perpétua vítima da serpente; e onde especificamente estaria seu "calcanhar de Aquiles", o próprio calcanhar. Por que?
Existe uma expressão que descreve a firma resolução de alguém que deseja conseguir um cargo – "ele está cavando com os calcanhares". O calcanhar representa a afirmação do homem sobre a terra. Como diz o versículo: "Os céus pertencem a D'us, mas a terra foi dada à Humanidade" (Tehilim 115:16).
O homem reivindica que a terra é sua propriedade, e portanto tem o direito de controlá-la, de exercer domínio sobre ela. A conexão com a terra através do calcanhar incentiva o homem. Observe quantas guerras foram travadas sobre limites territoriais! Quanto mais o homem "cava" a terra, mais poder ele pensa que exerce, e quanto mais direitos sente que tem, mais se distancia de um relacionamento significativo com D'us.
Ironicamente, a mesma força que dá ao homem tanto poder, é a causa de sua queda – o calcanhar. Não é surpresa, portanto, que está seja a área de ataque, sobre a qual a serpente sempre terá um ponto de vantagem.
O Maharal (Rabi Yehuda Loev, de Praga) explica que as mitsvot que tendem a ser pisoteadas são aquelas que entendemos como não merecedoras de grande recompensa. Se nossa atitude para com a Torá é meramente utilitária, que temos o direito de escolher o que é melhor para nós e portanto escolhemos a Torá, pode-se prontamente entender como aquelas mitsvot que não proporcionam os maiores benefícios possam ser "varridas para debaixo do tapete" em favor das "grandes mitsvot". Por que eu deveria escolher o que é melhor para mim?
Entretanto, entendemos que, afinal, não temos quaisquer direitos de escolher de quais mitsvot gostamos ou não, e reconhecemos que D'us nos abençoou com a oportunidade de servi-Lo quando guardamos Sua Torá e que Sua vontade é correta não importando aquilo que pensamos, então agarraremos a oportunidade de cumprir qualquer mitsvá, independente de seu "valor" percebido.
Portanto, o que torna-se evidente é que as mitsvot "menores" tornam-se o teste crucial através do qual demonstramos nossa verdadeira atitude em relação à Torá. Se fizermos uma pausa para considerar que a liberdade de escolher não significa uma liberdade de escolha, saberemos instantaneamente o que é a verdadeira humildade. 
Então ficaremos realmente de cabeça para baixo!


3/07/2012
Porção Semanal: Vaet'chanan       
Devarim 3:23-7:11               
        
Vaet'chanan continua o relato sobre o discurso final de Moshê aos Filhos de Israel. Ele diz ao povo que implorou a D'us para permitir-lhe entrar na terra de Israel, mas o Criador recusou seu pedido.
Moshê então continua a exortar e advertir o povo a obedecer à Torá e seus mandamentos, não aumentando nem subtraindo de suas mitsvot. Diz-lhes para se lembrarem sempre da incrível Revelação que viveram no Monte Sinai, passando aquela memória de geração em geração.

Moshê adverte o povo judeu sobre o prolongado exílio que viverão se abandonarem a Torá, e como D'us ao final os levará de volta à terra de Israel. Após designar as três cidades de refúgio na margem oriental do Rio Jordão, Moshê repete os Dez Mandamentos e ainda descreve a revelação do Criador no Monte Sinai, enquanto, ao mesmo tempo, continua a admoestar o povo judeu a manter sua observância da Torá.
Moshê ensina-lhes então o primeiro parágrafo do Shemá, a passagem fundamental que recitamos duas vezes ao dia, expressando nossa crença de que D'us é um, e declarando nosso compromisso de amá-Lo e servi-Lo.
Mais uma vez, Moshê exorta o povo a confiar em D'us, permanecer fiel à Torá, e ficar sempre consciente das ciladas da prosperidade e do sucesso.
Após ordenar ao povo judeu que ensine seus filhos sobre o milagroso Êxodo do Egito, a porção conclui com alguns mandamentos adicionais e avisos a respeito da conquista próxima da terra de Israel.

Mensagem da Parashá: Mitsvot valiosas

Se você tivesse que escolher apenas uma única mitsvá para cumprir, qual seria ela? 

Imagine um prisioneiro a quem fosse concedido um dia de suspensão da pena, e no qual pudesse cumprir qualquer mitsvá que desejasse. Escolheria Rosh Hashaná, para que tivesse uma chance de ouvir o som do shofar? Ou talvez escolhesse Yom Kipur, para que pudesse rezar a D’us na sinagoga pedindo misericórdia e perdão? Talvez devesse escolher Shabat para que pudesse recitar o kidush e ficar ao sol apreciando a santidade do dia?

Este caso intrigante realmente aconteceu no século dezesseis e foi levado perante o Radvaz, rabino-chefe do Egito que escreveu uma clássica coleção de responsa haláchica (respostas segundo o conjunto de leis e costumes que regem o judaísmo). De forma bem surpreendente, ele respondeu que o prisioneiro deveria escolher o primeiro dia disponível – independentemente de ser ou não um feriado, um Shabat, ou meramente um dia de semana. Sua argumentação estava baseada em uma declaração de Pirkê Avot (A ética dos Pais, em 2:1): "Seja tão escrupuloso ao cumprir uma mitsvá 'menor' como é ao cumprir uma 'maior', pois você não sabe as recompensas concedidas pelas mitsvot." Portanto, não podemos tratar uma mitsvá como tendo prioridade sobre outra.

Onde encontramos este conceito na própria Torá escrita?
A Torá de forma alguma vincula uma recompensa a uma mitsvá específica. Se cada mitsvá tivesse uma recompensa correspondente, seria muito fácil e conveniente para nós sermos seletivos em nossas ações, simplesmente escolhendo realizar a mitsvá que desejamos. Portanto, a Torá apenas menciona uma recompensa para duas mitsvot específicas. Na porção desta semana da Torá, lemos o quinto mandamento filial de honrar os pais, sobre o qual a Torá em Parashat Yitrô declarou que a recompensa é vida longa. A outra mitsvá – espantar a ave mãe antes de pegar seus ovos – está também relacionada à recompensa da longevidade.
O que há de tão significativo sobre estas duas mitsvot para haver uma recompensa específica a elas atribuída?

O Talmud ensina que honrar o próprio pai e mãe é a mitsvá mais difícil de cumprir adequadamente. Relata várias ilustrações de rabinos tentando cumprir esta mitsvá. Uma história fala de Rabino Tarfon que se inclinava e permitia que sua mãe pisasse sobre ele a cada vez que ia subir na cama. Mesmo assim, declara o Talmud, isso não preenche metade de suas obrigações!

Qual a mitsvá mais fácil de ser cumprida?
Imagine-se caminhando pela rua quando avista uma mamãe pássaro agachada sobre alguns ovos. A Torá ordena que enxotemos a ave antes de tirar os ovos.
Isso é tão fácil de fazer – apenas um aceno de mão. Não requer nenhum esforço, não custa nada. Como diz sucintamente o Talmud no Tratado Chulin, esta é a mais fácil de todas as mitsvot.
Estas duas mitsvot são as únicas mencionadas com uma recompensa específica porque, na verdade, elas englobam todas as restantes 611 mitsvot. Ao dizer-nos que a recompensa, tanto para a mais simples como para a mais difícil é a mesma, D’us está nos ensinando que todas as mitsvot são criadas iguais, no sentido em que há uma recompensa concedida para ambas e para cada uma entre elas.

Se você tivesse de escolher uma mitsvá, qual seria?
A primeira que surgir em seu caminho. Não perca a chance!

27/07/2012

Porção Semanal: Devarim

Devarim 1:1-3:22

Esta semana começamos o quinto e último livro da Torá, Devarim (Deuteronômio), conhecido na literatura rabínica como Mishnê Torá, a revisão da Torá. Seu conteúdo foi falado por Moshê ao povo judeu durante as cinco semanas finais de sua vida, enquanto o povo se preparava para entrar na Terra de Israel. Nele, Moshê explica e comenta muitas das mitsvot outorgadas previamente e outras que aqui aparecem pela primeira vez. Ele também os adverte continuamente a permanecer diligentes e fiéis às leis e ensinamentos de D’us.

A Parashat Devarim começa com a velada censura de Moshê, na qual faz referência aos numerosos pecados e rebeliões dos quarenta anos anteriores. Prossegue então relatando vários dos incidentes mais significativos que ocorreram com o povo judeu no deserto, lançando uma luz sobre as narrativas prévias da Torá.

Moshê fala da malograda missão dos espiões: dez dos doze homens enviados para vigiar a terra tinham voltado com um relatório negativo, e devido à falta de fé do povo, D’us condenou toda a nação a vagar por quarenta anos no deserto, tempo durante o qual a geração do êxodo morreu. Moshê então avança para discutir a conquista dos Filhos de Israel da margem leste do Rio Jordão. A Porção da Torá conclui com palavras de encorajamento para o sucessor de Moshê, Yehoshua.

Mensagem da Parashá

A palavra "Deuteronômio", tirada da palavra grega Deutronomion, na verdade significa "Segunda Lei", basicamente uma repetição da Torá. Isso nos faz pensar. Por quê? Por que razão D’us incluiu na Torá todo um quinto livro que consistia basicamente de uma revisão? Os primeiro quatro livros não foram suficientes?

 Compreensivelmente, podemos extrair uma lição significativa da inclusão deste quinto livro, aparentemente supérfluo. O Talmud enfatiza que quando uma pessoa está revisando algo, deveria fazê-lo por 101 vezes. Qual a diferença entre 100 e 101 vezes?

Os comentaristas do Talmud explicam que, sob uma observação psicológica, a pessoa revisará um conceito 100 vezes simplesmente para alcançar um objetivo elevado. A verdadeira revisão é superada pela conquista manifesta da pessoa. Em termos bem simples, 100 é um belo número redondo. Revisar 101 vezes demonstra a suprema natureza do caráter da pessoa envolvida. Ao revisar 100 vezes, dirá talvez: "Completei minha missão. Posso sair e me divertir agora." Revisar 101 vezes, no entanto, diz que você está acima e além do chamado do dever.

Quantas vezes ao final de uma palestra declaramos: "Puxa, isso foi incrível. Pretendo aproveitar estas lições em minha vida cotidiana." Quantas vezes aprendemos algo em uma aula que realmente nos inspira? Quantas vezes lemos um artigo sobre as lições da Torá pensando como ele é esclarecedor? Porém, apenas um dia depois, as lições e inspirações simplesmente desaparecem. Voltar aos nossos empregos e rotinas diárias simplesmente apaga aquilo que aprendemos apenas um dia antes.



20/07/2012 -

Esta semana, a leitura da Torah engloba duas parashot: Matot e Massê, do livro de Números (Bamidbar).
Porção Semanal: Matot 

Bamidbar 30:2 - 32:42     
 
Matot inicia-se com uma discussão das leis sobre nedarim (promessas) e shevuot (juramentos). A Torá então descreve a batalha do povo judeu e a vitória sobre Midyan, seguida por uma narrativa detalhada da distribuição dos despojos de guerra.

Antecipando a próxima chegada à Terra de Israel, as tribos de Reuven e Gad adiantaram-se para requerer que sua herança fosse a leste do Rio Jordão, ao invés de exatamente na Terra Santa, pois a margem leste seria mais apropriada para seus abundantes rebanhos.

Após alguma discussão, Moshê concorda, mas apenas sob a condição de que ajudassem o restante da nação a conquistar toda a Terra de Israel, antes de retornarem para estabelecer-se no seu legado.

      
Mensagem da Parashá: Ódio infundado e suas conseqüências
 
Duas porções atrás, ao final da Parashá Balac, uma praga terrível e destruidora assolou os filhos de Israel, devido aos pecados instigados pelos inimigos do povo judeu, os Moavitas e Medianitas.

Na mesma porção, toda nossa existência foi também perigosamente ameaçada por um hábil e poderoso feiticeiro não-judeu, Bilam, que foi contratado pelas forças conjuntas de Median e Moav para amaldiçoar o povo judeu, esperando torná-lo uma vítima indefesa para seus selvagens inimigos. Mesmo assim, na porção desta semana, quando D'us decide que chegou a hora de vingar a honra de Israel e destruir seus inimigos, Ele ordena a Moshê que destrua apenas os medianitas, permitindo que os moavitas escapem ilesos.

Por que os
medianitas foram escolhidos para a destruição, enquanto que os moavitas, que lideraram a extrema intrusão, foram poupados?

Para responder esta questão, Rashi (Rabi Shlomo Yitschaki, 1040-1105) explica que os moavitas agiram puramente por razões de auto-defesa contra um inimigo avultado e potente em suas fronteiras, enquanto que os medianitas haviam se engajado em uma disputa que não lhes dizia respeito, pois não foram ameaçados pelos judeus por viverem longe da rota para a Terra de Israel. Foi pela ação de ódio infundado dos medianitas que D'us quis vingança.

Rashi explica que tal ódio e envolvimento nas disputas de outro povo é especialmente perigosa espiritualmente porque mesmo quando as partes chegam a um acordo, o ódio daquele que está de fora da disputa conservará seu vigor pois, afinal, não era baseado em coisa alguma.

Esta mensagem é especialmente fundamental para nossa geração, para quem ódio infundado é um de nossos maiores erros e desafios. Portanto, devemos enxergar este pecado de ódio injustificado como um assassino impiedoso, e combatê-lo com fervor.

Devemos instilar esta mensagem dentro de nós, nos arrependermos de nossos pecados cometidos, e aprendermos a praticar o amor injustificado.

Quando conseguirmos isso, e com a ajuda de D'us, o Templo será reconstruído.

Que seja brevemente em nossos dias.


Porção Semanal: Massê 

Bamidbar 33:1 - 36:13     
 
A Parashat Mass’ê inicia-se com um resumo de toda a rota viajada pelo povo judeu durante seus quarenta anos no deserto, começando com seu Êxodo do Egito e concluindo com sua chegada às margens do Rio Jordão.

Após ordenar ao povo para expulsar todos os habitantes da Terra Santa, a Torá delineia as fronteiras exatas da terra de Israel. Já que os levitas não receberiam uma porção como os demais, cidades especiais foram separadas para eles. Alguns destes locais serviriam também como cidades de refúgio para alguém que, sem intenção, tenha matado uma pessoa, e então fugiria para uma destas cidades para buscar abrigo e evitar a vingança de um parente próximo da vítima, lá permanecendo até a morte do atual Cohen Gadol.

Após estabelecer os parâmetros para as várias categorias de assassinato, o livro Bamidbar conclui com informação mais completa a respeito das filhas de Tslofchad e as leis sobre herança.


Mensagem da Parashá: Uma rota para o equilíbrio
      

O povo judeu é único no sentido de ser verdadeiramente um, não uma coleção de indivíduos juntando-se para formar uma nação, mas uma única alma coletiva dividida em entidades separadas. Cada um tem uma identidade definindo seu papel especial como parte integral do todo. Assim como o corpo humano não funciona adequadamente a menos que cada parte faça seu trabalho, assim também a neshamá (alma) judaica coletiva adoece quando os indivíduos que a compõem não cumprem suas responsabilidades. E quando o corpo não está bem, todas suas partes sofrem.

O poder e responsabilidade a nós confiados por D'us são impressionantes, e as conseqüências de nossas falhas são potencialmente desastrosas. O Criador, em Sua infinita sabedoria, entendeu que a maioria de nós inevitavelmente tropeçaria de vez em quando durante nossa passagem pela vida neste mundo, portanto Ele construiu em Seu plano da criação um plano de emergência: quando uma pessoa tropeça, outra pode ajudá-la; quando algum judeu danifica o universo por agir de forma irrefletida ou descuidada, outro judeu pode reparar seu dano.

Aqueles tsadikim, os justos que mergulham no estudo e prática da Torá de D'us, são a equipe da reparação. Ao atingirem níveis ainda mais elevados de entendimento e observância através de sua sensibilidade a cada nuance e entonação das palavras da Torá, retificam os enganos cometidos pelo restante de nós, e nos guiam em direção a um maior entendimento de nós mesmos, para que não erremos novamente.

Nas palavras da porção desta semana da Torá há uma sutil alusão a estas idéias. Quando alguém reconta suas viagens, normalmente diz que viajou a um determinado lugar e lá permaneceu. A Torá, entretanto, ao recontar as jornadas dos filhos de Israel, emprega um fraseado estranho, sem mencionar chegada alguma. Além disso, a lista começa declarando: "E Moshê escreveu as suas saídas, conforme as suas jornadas… e essas são suas jornadas conforme as suas saídas." (Bamidbar 33:2); além da aparente inconsistência e redundância, o próprio significado do versículo é evasivo.

As palavras deste versículo contêm o seguinte significado alegórico: em nossas jornadas pela vida, como as viagens dos filhos de Israel pelo deserto, às vezes "viajamos" para fora do caminho que D'us preparou para nós, e nos tornamos perdidos em um deserto espiritual. Nestes momentos, os justos dentre nós "saem" para retificar o que fizemos; pela sua persistência pessoal no estudo e prática da Torá, guiam-nos de volta ao caminho certo pelo exemplo que estabelecem. Dessa maneira, após "nos afastarmos" de um lugar, eles "acampam" no próximo, significando que eles restabelecem o balanço celestial do universo, e restauram a direção do povo judeu à sua correta orientação.


Quem são estes tsadikim?
 
Ninguém deveria ficar satisfeito com suas conquistas, dizem nossos sábios, até que tenha atingido o nível de nossos antepassados Avraham, Yitschac e Yaacov. Esta não é uma tarefa impossível? Assustadora, talvez, mas não impossível, pois os sábios com suas palavras pretendiam transmitir-nos que assim como os Patriarcas aperfeiçoaram-se ao perceber o completo potencial que D'us lhes concedeu, assim também seremos como eles se desenvolvermos ao máximo nosso potencial.

Dessa maneira, pedimos três vezes ao dia ao Criador em nossas preces para "colocar nosso quinhão junto deles – os justos – para sempre".

Ele nos guie e nos ajude a desenvolvermo-nos até o limite de nosso potencial, para que possamos ser contados juntos com os justos neste mundo e no vindouro.

 

13/07/2012 - Porção Semanal: Pinechas
       
Bamidbar 25:10 - 30:1
       
A Parashá Pinechas começa com D'us concedendo sua bênção de paz e sacerdócio a Pinechas, o neto de Aharon, por assassinar um príncipe da tribo de Shimeon e uma princesa medianita enquanto estavam envolvidos em um ato licencioso em público (ao final da Porção da Torá da semana passada).

A reação zelosa de Pinechas salva o povo judeu de uma peste que havia irrompido no campo. D'us ordena a Moshê e Eleazar (filho e sucessor de Aharon como Sumo sacerdote) a conduzir um novo recenseamento de toda a nação, o primeiro feito em quase trinta e nove anos.

A Torá então relata a reivindicação feita pelas cinco filhas de Tslofchad por uma parte da herança na terra de Israel, pois não tinham irmãos e o pai morrera no deserto. D'us concorda, e pelo mérito destas mulheres justas muitas das leis sobre herança são ensinadas. Depois que D'us mostra a terra de Israel do topo de uma montanha, Moshê recebe ordens de transmitir seu manto de liderança a Yeoshua, colocando a mão sobre sua cabeça, pois Moshê não entraria no país.

A porção da Torá conclui com uma completa descrição dos corbanot, sacrifícios, especiais a serem ofertados nos vários dias festivos durante o ano, acima e além do sacrifício (corban tamid) que é trazido toda manhã e tarde. Estas seções são também lidas na Torá por todo o ano, nos dias festivos apropriados.
                  
Mensagem da Parashá
                   
Iniciamos a porção desta semana da Torá, que recebe o nome de Pinechas por seu ato destemido. Aqui lemos sobre a recompensa de D'us a Pinechas - uma bênção de paz e eterno sacerdócio. Estranhamente, embora esta discussão ocupe apenas parte de uma curta seção da Porção da Torá, mesmo assim a porção inteira recebe o nome de Pinechas. Não somente isso, se a porção da Torá tem de receber o nome de uma pessoa, aparentemente faz mais sentido incluir todo o episódio de Pinechas - de seu ato heróico até a recompensa de D'us - tudo em uma porção. Por que seu ato corajoso foi discutido na semana passada na Parashá Balac e sua recompensa descrita esta semana na Parashá Pinechas?

Talvez, a divisão da Torá do episódio em duas porções seja uma tentativa de ensinar-nos uma lição. Pinechas matou Zimri por uma razão e apenas por uma razão - ele sabia que era a coisa certa a fazer. Alguém tinha que tomar uma atitude e impedir que as mulheres medianitas causassem a morte de toda a nação judaica. A ação de Pinechas foi motivada no mais alto nível. Pinechas não agiu por auto-gratificação. Não o fez porque desejava que uma Porção da Torá recebesse seu nome. Ele o fez apenas pela santificação do nome de D'us e Seu povo. Ao separar a ação de Pinechas de sua recompensa, a Torá está nos ensinando que Pinechas não previu, ou mesmo se preocupou, em receber uma recompensa de D'us. Sua ação foi realizada por si, por seu próprio mérito.

Quantas vezes achamo-nos fazendo algo não porque é a coisa certa a se fazer, mas porque desejamos receber algum tipo de recompensa? Quantas vezes fazemos algo apenas para destacar nosso ego? O que a Torá está nos ensinando através de Pinechas é que devemos tentar fazer as coisas com mais empenho e simplesmente porque sabemos que isso é o certo. Nossa recompensa virá na hora certa. Não devemos fazer boas ações apenas para ver nosso nome brilhar.

06/07/2012 - Porção Semanal: Balac

Bamidbar 22:2 - 25:9 

A Parashá Balac muda das viagens do povo judeu no deserto para contar a história de Bilam, o profeta pagão que tentou amaldiçoar os Filhos de Israel.
Contratado por Balac, o rei de Moav, Bilam concorda em embarcar numa jornada até o acampamento israelita; entretanto, primeiro pede permissão a D'us, e vai com a condição de que falaria apenas aquilo que D'us colocasse em sua boca.
Durante a viagem, um anjo brandindo uma espada bloqueia o caminho de Bilam, fazendo que sua montaria desvie-se repetidas vezes da estrada. Incapaz de ver o anjo, Bilam reage golpeando o jumento desobediente por três vezes. Milagrosamente, D'us faz com que o animal fale com Bilam, e D'us desvela os olhos do humilhado profeta, para que possa ver o anjo de pé em seu caminho. O anjo então lembra a Bilam uma vez mais que ele pode apenas falar as palavras que o Criador colocar em sua boca.
Chegando próximo do acampamento dos judeus, Bilam tenta amaldiçoá-los repetidamente; todas as vezes D'us o impede, e em vez disso ele termina por pronunciar várias bênçãos e preces, para consternação de Bilam.
A Porção da Torá termina com a licenciosidade dos homens judeus com as filhas promíscuas de Moav e Median, e o indecente ato público de Zimri, um príncipe da Tribo de Shimon, com uma princesa medianita. Pinechas, neto de Aharon, reage zelosamente furando-os até a morte com uma lança, detendo uma peste que D'us havia feito irromper no acampamento.

Mensagem da Parashá  
    
O Talmud (Tratado Berachot 12b) declara que os Sábios queriam incluir a porção Balac desta semana da Torá em nosso recital diário da prece fundamental Shemá. A questão, é claro: por que? O que há de tão especial na Porção Balac da Torá para justificar que seja recitada diariamente em uma de nossas preces mais importantes? A resposta pode ser encontrada em um versículo em particular - "Eles são uma nação que se levanta como um jovem leão" (Bamidbar 23:24).
Os rabinos consideraram este versículo tão importante porque representa uma das mais elevadas aclamações do povo judeu. Como o leão, somos uma nação que sempre se levanta; não importa o quanto caímos, sempre nos levantamos. Isso é o que são os judeus, e é o traço de caráter do qual mais nos orgulhamos. Somos um povo que se ergue das cinzas. Essa é uma qualidade expressa por qualquer um que tenha alguma ligação com uma família que passou pelo Holocausto, e sobrevive hoje para chamar-se judeu.
O Rei Salomão escreveu: "Um justo que cai sete vezes e se levanta novamente" (Mishlê 24:16). O que é, exatamente, um justo? Um indivíduo justo não é necessariamente quem jamais comete pecado, mas sim a pessoa que peca e levanta-se novamente.
Nossos sábios dizem que o único modo de tornar-se um indivíduo justo é após a queda. Isso é o que o torna melhor. O crescimento vem apenas com conflito. Não é automático. Às vezes você precisa perder algumas batalhas antes de vencer a guerra."
Às vezes, nós, como judeus, podemos estar dormindo. Podemos passar anos sem cumprir mitsvot. E então despertamos como um leão e mudamos. Somos uma nação que não é derrotada, uma nação de sobreviventes. É devido a esta característica que ainda estamos aqui hoje.
28/06/212 Porção Semanal: Chucat
               
Bamidbar 19:1 - 22:1
      
Chucat começa com o puro decreto da Torá, Chucat Hatorá, uma mitsvá que somos conclamados a cumprir mesmo que não possamos entender seu propósito e sua razão - a vaca vermelha (Pará Adumá), cujas cinzas eram usadas para purificar as pessoas que se contaminaram através de contato com o corpo de uma pessoa morta.

A narrativa então salta 38 anos, para iniciar a descrição do que aparece imediatamente antes do povo judeu entrar na Terra de Israel. A profetisa Miriam morre, e o povo fica sem água, pois o miraculoso poço que os acompanhara durante sua jornada no deserto existia apenas pelo seu mérito.

D'us ordena a Moshê e a Aharon que falem com uma rocha em especial, que produzirá água instantaneamente; em vez disso, Moshê golpeia a pedra com seu cajado, e D'us diz aos dois líderes que eles não entrarão na Terra Prometida.

Depois, o rei de Edom recusa-se a deixar o povo judeu passar, fazendo-lhes tomar uma rota mais distante. Aharon morre e é sepultado no Monte Hor, e seu filho Elazar o sucede como Sumo Sacerdote.

Os Filhos de Israel cantam uma canção de louvor sobre o milagroso poço que D'us tinha feito surgir pelo mérito de Miriam, e a porção termina com as batalhas e vitórias sobre Sichon, o rei de Emori, e Og, o rei de Bashan.

Mensagem da Parashá                        

O povo judeu durante a travessia do deserto em direção à Terra Prometida beneficiou-se de recursos miraculosos fornecidos por D'us. Nuvens especiais cercaram e cobriram a nação viajante; mantiveram um tipo de supremo controle do clima, refrescando o ar e removendo obstáculos do caminho à frente. Os judeus não precisavam se preocupar com queimaduras de sol, e as nuvens ofereciam também proteção contra predadores. Além disso, o maná descia do céu seis dias por semana, fornecendo 100% da nutrição necessária. O maná era tão perfeito que era absorvido integralmente pelo trato digestivo, eliminando a necessidade de aliviar-se. E um poço, jorrando de uma grande rocha, rolava junto com eles para fornecer-lhes água.

Com a maioria de suas necessidades físicas satisfeitas, os judeus tinham bastante tempo para envolver-se no estudo da Torá que haviam recebido no início de sua jornada. Entretanto, os presentes que tornaram o ambiente ideal e protetor não eram gratuitos. Ao contrário, os judeus os receberam pelo mérito dos muitos indivíduos devotos, motivados e justos que habitavam entre eles.

O Talmud (Tratado Ta'anit 9a) relata que Israel teve três grandes líderes - Moshê, Aharon e Miriam - e três maravilhosos presentes foram recebidos por intermédio deles. Pelo mérito de Miriam, um poço jorrava água incessantemente; Aharon foi responsável pelas Nuvens de Glória; e o maná caiu pelo mérito de Moshê.

As mortes de Miriam, Aharon e Moshê privaram os judeus das águas dos poços, das Nuvens de Glória e do maná. A este respeito, Rashi (Rabi Shlomo Yitzhaki, 2 de fevereiro de 1040 – 13 de julho de 1105), foi um rabino da França, famoso como o autor dos primeiros comentários compreensivos sobre o Talmud, Torá e Tanach ) cita um Midrash que declara: "A partida de um justo – um tsadic - de um lugar deixa uma impressão indelével."

Analogamente, para onde quer que um tsadic vá, ilumina os arredores (tanto espiritual como fisicamente) com sua sabedoria de Torá. Ele concede um senso de dignidade a todos que estão em sua presença, honrando-os e sendo honrado por eles, e oferece inestimável conselho da perspectiva da Torá. Como um modelo vivo da Torá, o tsadic estabelece um exemplo positivo e influente para aqueles ao seu redor.

Nossos rabinos portanto explicam que devemos agarrar toda oportunidade de associar-nos com indivíduos justos e piedosos, judeus que estão imersos na Torá de D'us e cujas próprias ações refletem aquela imersão. Certamente os tsadikim são mortais, mas sua influência penetrante e poderosa pode ajudar-nos a ficar mais próximos de D'us.

Uma lição prática emerge de tudo isso. Toda vez que encontrar uma pessoa assim, a oportunidade está batendo - até mesmo a interação mais básica tem um efeito garantido. Você pode aperfeiçoar seu Judaísmo fazendo negócios, almoçando, ou simplesmente apresentando-se a esta pessoa. Além dos dons que a comunidade recebe pelo mérito de um justo, o próprio tsadic beneficia a comunidade; sua simples presença é um presente em sí.


22/06/2012 Porção Semanal: Côrach
Bamidbar 16:1 - 18:32
       
A Parashá Côrach começa com a infame rebelião liderada por Côrach contra seus primos, Moshê e Aharon, alegando que os dois haviam usurpado o poder do restante do povo judeu.

Após tentar convencer os rebeldes a uma retirada, Moshê diz aos dissidentes e a Aharon que cada um deve oferecer incenso a D'us. A oferenda do verdadeiro líder seria aceita por D'us, enquanto que o restante do povo teria uma morte não natural. A um pedido de Moshê, D'us faz com que a terra miraculosamente se abra e engula Côrach, enquanto o restante dos líderes da rebelião são consumidos por uma chama enviada por D'us. Quando os sobreviventes reclamam sobre a morte em massa, D'us ameaça destruí-los também, e irrompe uma peste.

Mais uma vez, Moshê e Aharon intervêm, oferecendo incenso para impedir a extinção do resto do povo. Deste modo, e com o miraculoso brotar do cajado de Aharon dentre aqueles dos outros líderes das tribos, Moshê e Aharon provam ser os líderes escolhidos. O papel de Aharon como Cohen Gadol (Sumo Sacerdote) é reiterado, e a Torá descreve os dons a serem concedidos aos Cohanim como recompensa por seu serviço no Mishcan (Tabernáculo), incluindo o direito de comer determinadas porções dos Corbanot (Sacrifícios). Os Levitas devem também ser sustentados pela sua dedicação recebendo ma'asser, ou a décima parte de todas as colheitas produzidas pelo povo judeu na Terra de Israel.

Mensagem da Parashá                   
       
"Os líderes da rebelião ficaram perante Moshê com duzentos e cinqüenta homens dos Filhos de Israel, líderes da congregação, aqueles convocados para a reunião, varões de renome" (Bamidbar 16:2).

De forma notável, todos os seguidores de Côrach concordaram em participar da rebelião e realizar o serviço proibido, e todos morreram. O que levou pessoas tão inteligentes a fazer algo tão insensato?

Para encontrar uma resposta à nossa pergunta, devemos primeiro entender a situação dos líderes, o que é de fato ser líder, como lidar com o poder, se é uma pessoa “de poder” ou “do poder”.

Quem é de poder, poder legítimo, tem espírito de liderança, deve exercê-lo com humildade, sabedoria, sobriedade, justiça, e seguir nesta linha, de modo a fazer o bem para a comunidade – pois poderes são ligados ao trato coletivo, e não à individualidade.

Quem é do poder se conecta às estruturas poderosas, de força, de poderes delegados, tem inveja e procura usurpar o poder legítimo.

É exatamente contra este cenário que a Torá está nos advertindo. Côrach e seu grupo tinham tudo que poderiam desejar - riqueza, honra, prestígio - tudo exceto o direito de participar no serviço do Templo. Isso estava reservado para os Cohanim, e ninguém podia comprar aquele cargo.

Os rabinos em Pirkê Avot (Ética dos Pais 4:28) ensinam que "inveja, desejo e honra removem uma pessoa deste mundo." Faz sentido que estes líderes sentissem inveja dos Cohanim. Imagine como deve ter sido difícil verem os Cohanim fazendo o serviço no Templo, enquanto eles tinham de estar longe da área sagrada.

Procurar conselho antes de agir, trocar idéias com alguém mais, pedir conselhos. Ao interiorizar a lição que nos foi ensinada pelos notáveis, embora desafortunados, homens do grupo de Côrach, estaremos mais preparados para enfrentar os grandes desafios da vida - e poderemos até ter mais sorte procurando nossos óculos desaparecidos.
 

15/06/2012 - Parashá Shelach, do livro de Números (Bamidbar)

Trata-se de um trecho cheio de eventos profundos relatados, o que significa que é numeroso na quantidade de ensinamentos e reflexões que pode nos trazer.

Apenas quanto aos assuntos relatados nesta parashá, tem-se:
  • Os judeus pedem a Moshê que envie espiões a Israel
  • A punição da Geração do Deserto
  • Moshê instrui os espiões 
  • A volta dos espiões
  • A lei de separar uma porção da massa
  • Os judeus choram sem motivo   
  • O povo judeu encontra um homem que fez um trabalho proibido no Shabat
  • Moshê defende o povo judeu
  • A mitsvá de atar tsitsit às vestimentas com quatro cantos
 Saiba +  

Para se ter um maior aprofundamento a respeito, recomenda-se uma clicada na página http://www.chabad.org.br/tora/leitura/shelach/index.html

08/06/2012 - Parashá Hashavua da Torá (Porção Semanal): Nassô (Bamidbar 1:21 - 7:89)
 

Depois que D'us ordenou a Moshê para purificar o acampamento para que fosse um lar merecedor da Presença Divina, a Torá descreve processos a serem cumpridos neste sentido. A Torá então descreve as leis do nazir, uma pessoa que aceitou voluntariamente adotar um estado especial de santidade, geralmente por trinta dias, abstendo-se de comer ou beber qualquer derivado de uva, cortar o cabelo, e de contaminar-se através do contato com o corpo de alguém que morreu. Após relatar as bênçãos pelas quais os Cohanim abençoarão o povo, a porção da Torá conclui com uma longa lista das oferendas trazidas pelos doze líderes das tribos durante a dedicação do Mishcan para uso regular. Cada príncipe faz uma oferenda comunal para ajudar a transportar o Mishcan, bem como doações idênticas de ouro, prata, animais e alimentos.
Como mensagem da Parashá, basicamente não é o dinheiro, não é a nossa fama, nem nada ligado à matéria, que são coisas realmente nossas - apenas as mitsvot, os mandamentos que cumprimos, e a Torá que estudamos, são realmente nossas, para levar conosco deste para o mundo vindouro.
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01/06/2012 - Parashá haShavuá (proção semanal da Torah):
A Parashá desta semana é Bamidbar (tradução do hebraico: no deserto), a primeira porção do quarto livro da Torá (Números). Um detalhe importante nesta porção é que foi justamente no deserto que o Criador outorgou a Torah ao povo. No deserto não há estrutura de espécie alguma, nem corporativa, nenhum contexto social ou político. Na verdade, contexto algum. Somente nós e a Torá. Nada mais propício para a introspecção e perceber que a Torá não é produto de nenhuma época, ambiente ou meio cultural específico, e que pertence, absoluta e inequivocamente, a todo e cada um de nós. D's enviou-nos para as cidades e aldeias de Seu mundo, a fazendas e praças, a universidades e edifícios comerciais. Disse-nos que agora que Ele já fez Sua parte, cabe a nós tornar Sua Torá relevante em todos estes locais e em todos estes contextos.
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Shavuót
No próximo domingo, dia 27 de maio, comemora-se o 1º dia de Shavuot, que marca a outorga da Torah no dia 6 de Sivan do ano 2448 da Criação (1313 AEC), sete semanas após o Êxodo,quando D’us revelou-Se no Monte Sinai. Todo o povo de Israel (600.000 homens e suas famílias), bem como as almas de todas as futuras gerações de judeus, ouviram D’us declarar os primeiros dois dos Dez Mandamentos, e testemunharam a comunicação dos outros oito, de D’us para Moshê. Depois da revelação, Moshê subiu à montanha por 40 dias, para receber o restante da Torá de D’us. No Sinai, D’us rescindiu o “decreto” e “dividiu” (gezeirá) o que estava valendo desde o segundo dia da Criação, separando o espiritual e o físico em dois mundos herméticos; a partir daí, “os reinos superiores poderiam descer até os reinos inferiores, e o inferior poderia subir até o mais elevado.” Assim, nasceu a “mitsvá” – um ato físico que, pelo fato de ter sido ordenado por D’us, traz a Divindade até o mundo.

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